Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da M.G.
É a mais antiga associação da cidade da Marinha Grande.

Foi fundada em 2 de Outubro de 1899 por operários da Real Fábrica de Vidros, com a colaboração dos Serviços Florestais, que forneceram o primeiro material: duas bombas, um carro de escadas e várias ferramentas próprias para o combate a incêndios no Pinhal. Também cederam parte do edifício da velha Fábrica de Resinagem (hoje Mercado Municipal), para instalação do quartel.
Em 25 de Maio de 1900 foram aprovados os seus estatutos que, além dos serviços humanitários para que fora criada, previam também o  desenvolvimento de outras actividades, de carácter cultural, instrutivo, recreativo e desportivo.

Muito bem recebida, a nova associação contou logo de início com a simpatia de toda a população marinhense, que se prontificou a ajudar a benemérita instituição. Assim, fundou-se uma grande banda de música e um grupo de teatro amador, para a realização de espectáculos com vista à angariação de fundos. Surgiram também bons beneméritos, como Arnaldo José Almeida (proprietário local, era dono da Quinta das Nespereiras e comerciante em Lisboa), que ofereceu todo o pano para a confecção das fardas, tanto dos bombeiros como dos músicos da banda, e João Guerra Pedrosa, que ofereceu avultada verba para aquisição de instrumentos musicais, capacetes, etc..

Corpo Activo de Bombeiros Voluntários da Marinha Grande no interior do edifício da resinagem (cerca de 1908)Todos os antigos bombeiros privativos da fábrica se ofereceram para a constituição do Corpo Activo. Foram eles João Orfão Soares, Joaquim Gil Marques, Joaquim Freitas Nobre, Vítor Ferreira Marques, Joaquim Carvalho Oliveira, Artur Birne, Inocêncio M. Dias, Álvaro Pereira, Joaquim Ferreira de Carvalho, Adriano Nobre Freitas, António Possidónio Marques, Joaquim Silvestre Ferreira, Estêvão de Carvalho, e mais alguns que vestiram a farda pela primeira vez.

O problema do quartel-sede arrastou-se longo tempo, desde que em 1941 o velho edifício da Resinagem, onde se encontravam os Bombeiros, foi cedido à Câmara Municipal para nele ser instalado o Mercado. Foi então encarada a construção de um novo quartel. Os directores de então, Dioniso Augusto da Mota, presidente, e Álvaro dos Santos Barros, tesoureiro, acompanhados pelo comandante Joaquim Carvalho d'Oliveira, solicitaram ao Ministério da Agricultura, que então tutelava a Fábrica Nacional, a cedência de um terreno desta. Em face do parecer favorável do administrador da fábrica, Doutor Calazans Duarte, em 12 de Agosto de 1941 a Associação recebeu um ofício informando que o terreno fora cedido perpetuamente, enquanto aquela existisse.

Construiu-se o quartel que, em 1982, era presidente da Direcção Artur Pereira de Oliveira e comandante do Corpo Activo Ivo Roldão Barros, foi demolido para construir outro mais amplo, que permitisse recolher todo o material, principalmente viaturas. Iniciadas as obras de demolição, surgiu ainda um embargo por parte do então administrador da FEIS, alegando que as obras estavam a realizar-se sem autorização nos terrenos da Fábrica. O caso, que gerou grande polémica nos meios locais, foi resolvido favoravelmente à Associação pelo juiz da comarca marinhense, em face do documento já citado de 12 de Agosto de 1941, prosseguindo a obra, segundo projecto do arquitecto marinhense João Luís Gabriel.

Por falta de terreno e de verbas só foi possível completar a primeira fase, inaugurada em 1 de Novembro de 1984 e que custou cerca de 40 mil contos, tendo entretanto a Direcção Geral do Ordenamento do Território já votado nova verba de 24 mil contos para a segunda fase e a FEIS cedido uma larga faixa de terreno contígua ao quartel. Espera-se que a obra seja continuada ainda este ano (1987).

No que respeita a material, o Corpo Activo orgulha-se de ser uma das três melhores corporações do distrito, tendo ultimamente vindo a ser renovado e acrescentado o parque de viaturas.

A Associação possui mais de 50 bombeiros, uma fanfarra composta por 35 figuras (20 músicos e 15 marjorettes), 10 carros diversos para ataque a incêndios, 6 ambulâncias, um jeep de desencarceramento, um pequeno carro para transporte do comando em operações e um barco salva-vidas, de borracha, equipado com motor.

Ao longo destes quase 1OO anos de vida, foram comandantes do Corpo Activo os seguintes senhores (por ordem cronológica):

João Orfão Soares, convidado para comandar a corporação aquando da fundação;

Viriato de Oliveira (interinamente);

Joaquim Carvalho d'Oliveira (que exerceu o cargo durante mais de 30 anos, sempre mantendo um grande interesse pelo apetrechamento e desenvolvimento da corporação);

José Marques Barosa;

Ernesto Freitas Neto (interinamente);

Ivo Roldão Barros;

José de Jesus Sousa (desde 13 de Janeiro de 1984).

Este último foi recentemente convidado pelo Serviço Nacional de Bombeiros a frequentar um curso para comandar um dos Centros de Coordenação de meios aéreos de combate a incêndios, o que é prestigiante para a velha corporação.

Dentro do seu espírito humanitário, e por iniciativa do então comandante Joaquim Carvalho d'Oliveira, a Associação montou na Marinha Grande o primeiro Posto Médico e de Socorros. Localizava-se ao lado do quartel, no edifício da Resinagem, onde hoje se encontram os serviços do Registo Civil. Esse posto, conhecido por "Cruz Branca" e fundado por volta de 1930, teve como médico o Dr. Cipriano Pinhal Palhavã e como enfermeiro Júlio de Oliveira Baio. A Cruz Branca funcionou ate 1941, ano em que foram instituídos os Serviços Médico-Sociais da Caixa de Previdência, tendo nesses onze anos de funcionamento prestado grandes e valiosos serviços a população marinhense. A Associação teve também acção muito importante na administração e exploração do velho Teatro Stephens, durante cerca de trinta anos. Foi-lhe entregue em 1911, a pedido do comandante Joaquim Carvalho d'Oliveira, pela Empresa Exploradora da Antiga Fábrica Nacional de Vidros da Marinha Grande, SARL, para ajuda financeira à corporação. Nesse período, não só esta trouxe à Marinha Grande as melhores companhias de teatro nacionais e outros espectáculos artísticos, como foi a introdutora do cinema na localidade.

Por volta de 1966, de colaboração com o Brigadeiro Couceiro Neto, a Associação de Bombeiros prestou novo e grande serviço à sua massa associativa, transformando o grande salão nobre em ginásio polivalente, onde o categorizado professor ministrou a várias classes ensinamentos de ginástica. Ainda hoje se mantém esses cursos de ginástica, agora ministrados pelos professores Rui Verdingola e Armando Agostinho.

Graças aos feitos do seu Corpo Activo, a Associação ostenta muitos e variados galardões, com destaque para os seguintes:

Instituição de Utilidade Pública; Medalha de Ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses; Medalha de Ouro do Concelho; Medalha de Filantropia e Caridade do Instituto de Socorros a Náufragos.

A confirmar o grande interesse da população marinhense pela sua humanitária Associação de Bombeiros está o facto de esta possuir hoje cerca de 3 500 sócios. Dentre todos os que já teve a Associação, alguns deles já citados, é justo destacar Joaquim Carvalho d'Oliveira e Álvaro dos Santos Barros.
A Direcção é actualmente constituída pelos sócios Dr. Rui Couceiro Neto Silva (presidente), José de Jesus Sousa (vice-presidente), Zeferino André (secretário), José António Coelho (tesoureiro), Carlos Salvador, José Simões Ferreira e Teresa Granja (vogais). O comando do Corpo Activo é constituido por José de Jesus Sousa (comandante), Vítor Manuel Ferreira Lopes (segundo comandante) e José António da Costa Antunes (ajudante). (*)

 (*) - Texto datado pelo Autor (20 de Abril de 1988).


condensado de: Cidade de Marinha Grande - Subsídios para a sua História
autoria de: João Rosa Azambuja
edição de Pelouro da Cultura da Câmara Municipal da Marinha Grande
edição integrada nas Comemorações dos 250 anos da Indústria do Vidro
data de edição - Dezembro de 1998