Personalidades
- Acácio António de Almeida Amaral
- Ernestino Gomes
- António Rodrigues
- António Fernandes da Silva (Roberto)
- José Ferreira Gomes
- Álvaro André
- José André (Sobrinho)
- José da Silva Roque
- António Agostinho de Sousa
- António Costa
- Paula Lemos
- Ilídio de Oliveira Guerra
- José Roque
- Joaquim Morgado Matos
- António Gomes do Céu
| António Manuel Velindro Figueiredo |
Pára-quedismo "um bicho impossível de sair"UM dos colaboradores na fundação da Associação de Pára-quedistas Pinhal do Rei da Marinha Grande, o nosso Ilustre, admite que "ser pára-quedista é um bicho impossível de se perder". Apesar dos dois acidentes que sofreu, em operações militares, não deixa de sentir uma paixão imensa e viver com o espírito pára-quedista. António Manuel Velindro Figueiredo, nasceu na freguesia de Sé Nova, em Coimbra, no dia 31 de Dezembro de 1946. Tem uma irmã mais velha, o pai era compositor tipógrafo e a mãe modista. Frequentou a escola primária na Boavista até à 4ª classe, passando depois para o Colégio Luís de Camões, que já não existe, onde leccionou até ao 2º ano. Porque só queria fazer atletismo, com 11 anos de idade, saíu da escola e foi trabalhar. 0 primeiro emprego, foi ao balcão a vender peças e acessórios de automóveis, onde se manteve, até aos 17 anos. 0fereceu-se como voluntário para os pára-quedistas, com 17 anos, entrou com 18, para o Regimento de Caçadores Pára-quedistas em Tancos. Entrou como soldado raso, tirou o curso de cabo e nesse posto, seguiu para Moçambique na 4ª Companhia de Caçadores Pára-quedistas, em 1966. Instalaram-se na zona de Moeda, no entanto a 4 de Março, de 1967, quando participavam na operação "Hiena", saindo do vale de Miteda para descansarem em Nanguloolo durante uns dias, sofreu um acidente que o obrigou a ser evacuado. Esteve internado 4 meses, no hospital nos Açores, "onde ficavam os casos. mais graves", passou à disponibilidade em 1968 e ficou com cinco estilhaços no corpo, um deles junto ao coração. Apesar de combalido, regressou à família pelos seus próprios meios e em 1969 já casado, foi trabalhar na parte administrativa de uma empresa do ramo automóvel, em Angola. Em 1975, regressou a Coimbra como vendedor de equipamentos para artes gráficas e algum tempo depois, veio para a Mª Grande onde refez a sua vida. Em 1977, foi convocado para o serviço militar, para os pára-quedistas, mas, 6 meses depois, num salto nocturno em Tancos sofreu novo acidente. Em 1980, pediu a demissão e saiu antes de concluir o curso de sargentos. As saudades de saltar são imensas e para as "matar", o nosso Ilustre ainda há poucos dias saltou da torre em Tancos, o que já não fazia desde 1965, em pára-quedas, não salta desde 1980. Para o fazer, necessita de passar por uma reciclagem e além disso, é necessário um certo número de elementos dispostos a fazê-lo. A actividade de vendedor e a sua afabilidade, proporcionaram-lhe um grande número de amigos na cidade ,vidreira. Um belo dia, num pequeno convívio de amigos, foi decidido criar a Associação de Pára-quedistas, que preside actualmente. Iniciaram apenas com vinte elementos, um deles o sócio nº 1, o Toni, é pára-quedista do ano de 1955 e actualmente, já contam nas suas fileiras com cerca de 248 associados. Uma casa nova, onde possam funcionar é o grande sonho do nosso Ilustre e dos restantes associados, no entanto, enquanto não a encontram, vão utilizando a casa, cedida pelo senhor Joaquim Alves Cruz, sócio benemérito. 0 convívio, entre os antigos pára-quedistas e seus familiares, é um dos grandes objectivos da Associação, porque "recordar é viver e encontrar amigos de há muitos anos é muito importante para os pára-quedistas, que sempre trocam recordações". Sentem uma grande satisfação em levar pessoas a saltar e não deixam passar a oportunidade de levar a saltar quem a isso se dispuser, por isso, será inesquecível o prazer que deram ao "Manel" facilitando-lhe a concretização de um sonho. António Figueiredo, como muitos outros militares que têm mazelas de guerra, apenas lamenta, que o facto de ter no seu corpo cinco estilhaços, entre outras mazelas, algumas psicológicas, não seja abrangido nas estatísticas, de deficiência, ao ponto de ter direito a qualquer tipo de compensação, seja de que valor for. Desistir não está nos seus planos e mesmo em tempo de paz, a sua luta vai continuar. A.C. in: JORNAL DA MARINHA GRANDE
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Pára-quedismo "um bicho impossível de sair"