António Maria de Campos Júnior
Foi romancista, jornalista e dramaturgo.

Açoriano por nascimento (nasceu em Angra do Heroísmo em 13 de Abril de 1850), viveu muitos anos na Marinha Grande, onde casou com D. Maria das Dores Ferreira e onde veio a falecer a 8 de Setembro de 1917, estando sepultado no velho cemitério local.
Veio com oito anos para a cidade de Leiria, onde fez estudos primários e cumpriu o Serviço Militar, como professor na Escola Regimental. Em Leiria escreveu os seus primeiros trabalhos: Milagre da Senhora da Encarnação, A filha do Regedor e Nariz de cera.

Transferido para Lisboa por interferência do seu amigo Dr. Afonso Xavier Lopes Vieira, pai do poeta Afonso Lopes Vieira, aí desenvolveu grande actividade literária e política. Figurou entre os redactores dos jornais Revolução de Setembro, O Século e Diário de Notícias. Filiou-se no Partido Regenerador e depois na Esquerda Dinástica.

Dedicou toda a sua vida ao estudo da história, esquadrinhando documentos, folheando livros amarelecidos e carcomidos pelo tempo, para poder escrever muitas das suas obras históricas. Foi esse trabalho intelectual que o levou a contrair uma grave anmésia, esquecendo até as letras do seu nome. Escreveu mais de uma dezena de livros, romances históricos, impregnados de muitas verdades descritas de um modo fascinante: leitura agradável, viva, impressionante. O Século publicou em folhetim muitas das suas obras: A filha do polaco, Marquês de Pombal, Luís de Camões, Ala dos Namorados, Guerreiro e Monge, etc..

Como dramaturgo, escreveu a peça Torpeza, a propósito do ultimato inglês, que se exibiu durante alguns anos nos Teatros Alegria, Príncipe Real e Ginásio, sempre com muito agrado. A peça, escrita em 1891, foi um libelo patriótico contra a tirania inglesa. O público saudava-a calorosamente à subida do pano, cantando de pé 'A Portuguesa'.

Campos Júnior reformou-se do Exército em 1899, no posto de Capitão, para se dedicar inteiramente às letras e à política. Voltou a Leiria, onde, como redactor principal, dirigiu o semanário Distrito de Leiria. Logo após a implantação da Republica velo viver para a Marinha Grande, terra de sua mulher. Habitou o nº 40 da R. Machado Santos.

Foi agraciado com várias condecorações, como as de Grande Cavaleiro da Ordem de Cristo, Oficial de Santiago, Medalha de Prata de Comportamento Exemplar e Mérito Militar de Espanha.

Embora a Marinha Grande tenha já perpetuado o grande escritor, atribuindo o seu nome a uma das artérias principais da vila, achamos que seria justo colocar uma lápide na casa onde morreu.
 

(Esta biografia é baseada na Ilustração Portugueza de 24 de Setembro de 1917 e na Voz da Marinha Grande de 1O de Abril de 1947).

in: "Cidade da Marinha Grande - Subsídios para a sua História - João Rosa Azambuja"