Personalidades
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| Felicidade Emilia B. Barreiros Oliveira |
Acha que "a idade não lhe pesa"PENÚLTIMA, de uma família de sete irmãos, veio para a Marinha Grande, com apenas 12 anos, elegendo esta como a sua segunda terra. Em Escoural, concelho de Montemor-o-Novo, distrito de Évora, nasceu no dia 13, de Abril, de1938, Felicidade Emília Barbeiro Barreiros Oliveira. Porque era filha de um funcionário dos caminhos de ferro, que chegou a chefe de distrito, residiu no Barreiro, em Lisboa e Torres Vedras. A mãe, doméstica, ficou viúva muito cedo, com os filhos pequeninos. A CP dava na altura uma pensão à viúva de 227$00 por mês e 27$00 de cada filho, o que era muito pouco. Como a mãe da nossa Ilustre era muito doente, foi entregue a uma irmã a guarda, que ainda existe, junto à empresa Santos Barosa, o que obrigou a família a instalar-se por cá. Daí Felicidade Barreiros dizer, que, tem duas terras no coração, o Alentejo "que não renega e a M.ª Grande, onde acabou de se criar, casou e teve dois filhos". Começou a instrução primária no Barreiro, Lisboa e terminou em Dois Portos. A seguir, foi aprender costura, enquanto os rapazes seguiam os estudos. Reconhece, que na época, muitos acessos eram difíceis para as raparigas e isso verificava-se a nível dos estudos, dizia-se que, "as meninas vão para a costura e os rapazes para a escola". Esse "empecilhos" mantinham-se de tal forma, que, a nossa Ilustre desde garota que gostava de ser enfermeira, mas nunca conseguiu atingir esse objectivo. Quando abriu a escola de enfermagem em Leiria, onde se entrava com o Ciclo Preparatório, tinha 36 anos, foi frequentar os dois anos necessários para entrar, mas, para seu desgosto, quando se apresentou para fazer a matrícula, já tinha sido alterado o sistema de acesso que passou a ser aberto apenas ao antigo 5º ano. Já casada e os filhos a estudar, achou que era impossível continuar e apenas aí, desistiu de ser enfermeira. Ainda hoje, acha que teria sido uma boa enfermeira, porque sentia que tinha vocação. Com 12 anos, trabalhou no Fortunato a fazer gabardinas e antes em casa da Maria Barros, fazia mantas e passadeiras de trapos, no tear. Na Upla, vestiu bonecas e fez mobílias em esponja. Para o José Maria Rios, vestia bonecas e mesmo depois de sair da Upla trabalhou muito tempo em casa, para a fábrica. Quando se reformou, em Janeiro de 1974, trabalhava no Macatrão, a cortar e a costurar os tecidos para os sofás. A partir dessa época, integrou o Movimento Democrático das Mulheres - MDM, chegando a pertencer ao Conselho Nacional, o que acha que "foi muito bom, porque as mulheres passaram a ter uma maior abertura", com mais oportunidades de conhecer outros assuntos e ajudarem os outros, "serem mais abertas e mais livres". Sente que, "é razoavelmente feliz", o marido sempre foi compreensivo, sempre lhe deu apoio e permitiu que fizesse o que achava que devia fazer. Participou na organização do primeiro almoço dos reformados e a partir daí, dedicou-se por inteiro à ASURPI - Associação de Reformados Pensionistas e Idosos. Pertence aos corpos sociais desde o início e é presidente desde 1990. Considera que, "dar um pouco, dê ajuda e felicidade às pessoas é muito gratificante" e ao mesmo tempo que ajuda os outros, ajuda-se a ela própria a superar um grande desgosto que sofreu na sua vida. Os reformados, como a própria diz, "é um bálsamo que ajuda a esquecer ou apagar um pouco as mágoas e as dores". Acha que, a idade não lhe pesa, "sente-se nova na maneira de agir e de estar" e considera que, "ainda tem muito para viver para dar e receber". Sob o lema "velhos são os trapos", Felicidade Barreiros recomenda aos idosos que estão sózinhos em casa, que frequentem a sede da Asurpi, para se distraírem. e divertirem. Pela sua parte, "nunca lhe passou pela cabeça mascarar-se ou fazer teatro" e agora, "faz isso e muito mais, com um prazer imenso". A.C. in: JORNAL DA MARINHA GRANDE
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Acha que "a idade não lhe pesa"