Personalidades
- Acácio António de Almeida Amaral
- Ernestino Gomes
- António Rodrigues
- António Fernandes da Silva (Roberto)
- José Ferreira Gomes
- Álvaro André
- José André (Sobrinho)
- José da Silva Roque
- António Agostinho de Sousa
- António Costa
- Paula Lemos
- Ilídio de Oliveira Guerra
- José Roque
- Joaquim Morgado Matos
- António Gomes do Céu
| João da Silva Reis |
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Não sendo marinhense por nascimento, pois nasceu em Lisboa, no dia 9 de Janeiro de 1910 (a sua família era oriunda de Angeja, Aveiro), João da Silva Reis veio a ser um grande marinhense por coração. Foi gerente industrial da fábrica da Companhia Industrial Portuguesa (hoje IVIMA) durante cerca de 25 anos. Era um autodidacta, visto que, iniciando a sua vida profissional com o simples curso da Escola Comercial Veiga Beirão, veio a velar-se e a adquirir cultura e conhecimentos de grande valor, através de muito estudo. Aprendeu sozinho inglês, francês, filosofia e história. Teve ainda tempo para ler tudo o que se havia publicado sobre a indústria vidreira, o que o levou a dominar os seus problemas técnicos. Homem de rara inteligência, excepcionais qualidades de trabalho, trato cativante e uma bondade tantas vezes comprovada, procurou sempre distribuir justiça compatível com as possibilidades da indústria, procurando dignificar a condição dos trabalhadores, que viam nele não o patrão mas sim o colega amigo, sempre pronto a tolerar, ensinar e ajudar. Com o seu espírito organizado e organizador, dedicou grande actividade aos problemas da indústria vidreira, lutando persistentemente pelo seu desenvolvimento técnico, económico e social. Fez parte do Grémio Nacional da Indústria Vidreira. Colaborou na montagem e direcção da Caixa de Abono de Família e da Caixa de Previdência. Ajudou a criar o Fundo Industrial Vidreiro de Assistência Social, de que foi o primeiro presidente e cujo objectivo era a protecção aos filhos dos trabalhadores vidreiros. Fundou a Comissão Abastecedora de Lenhas. Colaborou na fundação do CIVE (Comércio Industrial de Vidro para Exportação). Aquando do fecho da fábrica Angolana, que deixou sem trabalho algumas centenas de trabalhadores, colaborou na resolução desse problema. Fundou a cooperativa de consumo da fábrica e criou aí um posto médico modelar, dirigido pelo Dr. Aníbal Guedes Coelho e assistido por um enfermeiro, assim como uma creche que ajudou a minorar os problemas das trabalhadoras com filhos. Também no campo cultural fez obra de vulto. Foi dinamizador e ensaiador teatral. Com o seu amigo engº Rafael de Magalhães, foi o renovador do jornalismo marinhense, criando no Região de Leiria uma folha marinhense, que dirigiu durante alguns anos e que veio a incentivar a criação de outros jornais. Foi o grande obreiro da continuação do Colégio Afonso Lopes Vieira, vencendo, como presidente da Comissão Administrativa, uma grave crise financeira da instituição. Ainda na sua mocidade, João Reis privara num círculo de amigos como o engº Lopes Raimundo, Pulido Valente, José Rodrigues Miguéis, Aboim Inglez, etc., tendo adquirido um espírito liberal e altruísta, defensor dos ideais socialistas e democráticos. Aureolado de homem idealista, trabalhador honesto e principalmente bom, todas essas qualidades vieram a ser confirmadas durante os anos em que se manteve na Marinha Grande. Quando em 1955 foi chamado para Lisboa, para a administração da IVIMA, os empregados desta fábrica, os amigos, os industriais de vidro e as autoridades prestaram-lhe a merecida homenagem, em que se relembraram as suas acções em prol da indústria vidreira e noutros campos de actividade. João Reis disse então, entre outras coisas: "Quando olho para trás vejo-me a defender ideias que reputava como as melhores, diante da minha maneira de ver: A "dama" que tinha erguido foge-me agora das mãos, como aliás tantas fogem. É uma amargura de alma que perde uma mocidade atrás de ideias loucas, e uma amargura do coração. Poderei preparar-me para novas tarefas com o coração já frio e cansado? O destino o dirá!... " Ao pronunciar estas palavras, João da Silva Reis deixava transparecer a amargura com que abandonava a Marinha Grande, que ele tanto amava, e a obra a que durante mais de vinte anos dedicara todo o seu amor, integridade e honestidade. Morreu em 14 de Dezembro de 1964 num brutal acidente de viação, ao serviço da lvima. Deixou a família em péssimas condições financeiras, apenas com um seguro de vida contra acidentes pessoais, pois nunca se quis aproveitar das condições que o seu alto cargo lhe proporcionou para fazer fortuna. A empresa, apesar das missas que mandou rezar, das grandes participações nos jornais e das promessas feitas aos filhos, acabou por nada fazer. A Marinha Grande fica a dever a João da Silva Reis a homenagem que merece, dando o seu nome a uma rua, para perpetuar no tempo aquele que em vida foi um grande marinhense. in: CIDADE DA MARINHA GRANDE SUBSÍDIOS PARA A SUA HISTÓRIA - (João Rosa Azambuja)
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