João Pereira Correia
João Pereira CorreiaNasceu em 13 de Abril de 1883, na Figueira da Foz. Foi educado num seminário de Coimbra até aos 18 anos. Frequentou depois a escola Brotero, também em Coimbra, onde contactou com o meio artístico local.
Vai depois para Lisboa onde, sem emprego e sem recursos financeiros, leva uma vida difícil: desenha pelos cafés. Entra no meio artístico, onde conhece Stuart Carvalhais, Silva Porto e Manini. Esses contactos levam-no ao campo do teatro, como ajudante de cenógrafo. Trabalha também na Fábrica de Louças de Sacavém, como desenhador e pintor de louça e, aos fins de semana, dedica-se à pintura de paisagens, em convívio com outros artistas.
Entretanto, é convidado para vir trabalhar na Marinha Grande, na Real Fábrica de Vidros. Aqui se radica, pois encontra um ambiente propício à realização dos sonhos da sua vida: o campo artístico. Desenvolve o desenho e a pintura dos vidros, criando escola, participa no teatro amador da vila como cenógrafo e actor muito espirituoso. Devido ao seu espírito afável, cria com facilidade amizades.
Aquando de uma crise vidreira, e já a trabalhar na Fábrica Nova como chefe da oficina de concepção de modelos e decoração, montou, com Etur das Neves, uma oficina de pintura de vidros onde se executaram trabalhos de grande valor, principalmente em vidraças. De volta a fábrica, depois de esta ter retomado a laboração, aí continua o seu trabalho de formação de artistas pintores de vidro. Visitou a Exposição Universal de Paris, enviado pela CIP, onde recolheu ideias muito úteis ao desenvolvimento da pintura dos vidros.
Nos tempos livres dedica-se à pintura a óleo, guache e aguarela. Participa numa exposição colectiva na Figueira da Foz, onde ganha uma menção honrosa. João Correia nunca foi ambicioso. Trabalhava por gosto e nunca teve intuitos comerciais. Os seus trabalhos foram em grande parte oferecidos. A sua colaboração dada ao teatro, na execução de cenários, foi sempre graciosa.
Casou com D. Matilde de Oliveira, de quem teve dois filhos também grandes artistas: Joaquim Emídio de Oliveira Correia, professor e escultor da Escola Superior de Belas Artes, e Guilherme Correia, o melhor aguarelista e pintor de vidros da Marinha Grande.
João Pereira Correia morreu na Marinha Grande, em 14 de Maio de 1949.
 

in: CIDADE DA MARINHA GRANDE SUBSÍDIOS PARA A SUA HISTÓRIA - (João Rosa Azambuja)