Joaquim Augusto Ferreira Moraes
Joaquim Augusto Ferreira MoaraesO snr. Joaquim Augusto Ferreira Moraes, nasceu na histórica e fidalga freguezia de Sanfins, do concelho da Vila da Feira, distrito de Aveiro.

Filho do snr. Joaquim da Silva Ferreira Moraes, honrado escrivão do Juizo de Paz, em Oliveira d'Azemeis, passou nesta ridente vila os seus primeiros anos, dedicando-se á vida comercial, e seguindo ainda muito novo para a Ilha de S. Tomé, onde ocupou um lugar nas Obras Publicas, que exerceu sempre com o maximo zelo e honestidade.
Regressado ao continente, comprou a Tipografia que atualmente possue e que nesse tempo era propriedade dos falecidos srs. José Ferreira Custodio e Gervasio da Silva Neto, estabelecendo aqui familia por casamento com a snrª D. Julia de Sousa Moraes.

O nome do sr. Joaquim Ferreira de Moraes é conhecido em todos os pontos do paiz. O estabelecimento grafico, devido á sua modelar administração e aos seus disvelados cuidados de trabalhador incançavel, tem por todo o continente numerosissima clientela.

Caracter impoluto, genio energico, tendo por diviza - antes quebrar que torcer - grangeou a estima e o respeito.

Eleito para vareador da Camara, os seus colegas colocaram-n'o no lugar de presidente da Comissão Executiva. E a sua acção tem-se assinalado, impondo-se por tudo quanto é justo e de interesse para o concelho da Marinha Grande. Não o obececando as ideias politicas, dentro da esfera administrativa, reconhece a todos quantos se dedicam por esta terra as melhores virtudes, animando-os a prosseguir na missão que ele tão bem compreendeu, esquecendo-se e pondo de parte os trabalhos do seu mister para se dedicar ás necessidades do concelho.

Sacrificios imensos de saúde, profundissimos dissabores, enormes prejuizos, nunca o desanimaram, prosseguindo sempre no rasgo altruista de elevar as laboriosas terras da Marinha e Vieira, com um vigor, raro de encontrar nos proprios naturaes.

E não é só na Camara que o sr. Moraes tem demonstrado a sua actividade. Como administrador do concelho, cargo que interinamente e por diversas vezes exerceu, sublinhou a sua passagem com actos de grande civismo e fundo respeito.

É um homem que honra a Marinha Grande e que até pelos seus inimigos, - por que não há ninguem que os não tenha -, são admiradas as belas qualidade que o exortam.

Aqui ficam, pois, em tão mal alinhavadas linhas uns dados sobre um homem que se impõe á consideração publica pelo seu desinteressado trabalho e cujo nome ainda se encontra ligado ás benemeritas Associação dos Bombeiros Voluntarios e delegação da Cruz Vermelha, na qualidade de exemplar presidente.

Sabemos defender a sua modestia, mas impunha-se falar com verdade sobre uma personalidade a quem a Marinha Grande muito deve, honrando-se o «Marinhense» ao publicar nas suas paginas o seu retrato.

in: « O MARINHENSE »
(edição de 26 de Março de 1922)