Joaquim Carvalho d'Oliveira
Joaquim Carvalho d'OliveiraNascido em 18 de Outubro de 1882, na Marinha Grande, entrou para bombeiro aos dezoito anos, aquando da fundação da Associação. Poucos anos depois foi escolhido para comandante do Corpo Activo, lugar que desempenhou até à sua morte, verificada, com grande consternação, em 14 de Junho de 1939. Toda a sua vida particular a dedicou à causa dos Bombeiros, a que se consagrou de alma e coração.
Homem inteligente e activo, simples e bondoso, respeitado e respeitador, Joaquim Carvalho d'Oliveira granjeou na Marinha Grande simpatia. A ele se ficam a dever prestimosas obras para engrandecimento dos Bombeiros, como a cedência do velho Teatro Stephens para ser explorado pela Associação e mais tarde o restauro daquela velha casa, a cuja inauguração infelizmente não assistiu.

Também na indústria vidreira foi figura prestigiada, iniciando a sua vida de trabalho, ainda muito novo, como aprendiz de lapidário, na Fábrica Stephens, onde desempenhou mais tarde o lugar de encarregado geral.

Conta-se (Notícias da Marinha Grande, de 29 de Junho de 1939) que a Joaquim Carvalho d'Oliveira se deve o facto de a fábrica não ter sido encerrada quando, por volta de 1922, passou pela crise mais aguda da sua vida: laboração quase parada, dezenas de contos de salários em atraso e sem dinheiro para pagar a fornecedores. A situação era crítica, e a Comissão Administrativa, na altura composta por trabalhadores, cuja autoridade máxima era o encarregado geral, Joaquim Alves (por os delegados do Governo e da Câmara terem abandonado as suas funções) propusera, em plenário, encerrar a Fábrica e entregar a chave ao Administrador do concelho. Aí fez-se ouvir a voz de Joaquim Carvalho d'Oliveira, para se insurgir contra essa proposta, dizendo que seria o fim de tudo, e propondo-se ir a Lisboa tratar do assunto junto dos poderes públicos, onde tinha amigos e boas relações. De facto, mais tarde o Governo reestruturou a Comissão Administrativa e nomeou seu delegado o engº Calazans Duarte, que aos poucos a transformou numa cristalaria de nível europeu.

A título póstumo, as autoridades concelhias atribuíram o nome de Joaquim Carvalho d'Oliveira a uma das principais artérias da vila, e a Administração da Nacional Fábrica de Vidros mandou colocar no átrio do Teatro Stephens um baixo-relevo com a sua efígie, executado pelo escultor marinhense Joaquim Correia.

in: "Cidade da Marinha Grande - Subsídios para a sua História - João Rosa Azambuja"