Personalidades
- Acácio António de Almeida Amaral
- Ernestino Gomes
- António Rodrigues
- António Fernandes da Silva (Roberto)
- José Ferreira Gomes
- Álvaro André
- José André (Sobrinho)
- José da Silva Roque
- António Agostinho de Sousa
- António Costa
- Paula Lemos
- Ilídio de Oliveira Guerra
- José Roque
- Joaquim Morgado Matos
- António Gomes do Céu
| José Alexandre Júnior (zé ministro) |
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Nascido a 6 de Julho de 1924, no lugar de Salgueiro, na Marinha Grande, José Alexandre Júnior dedica-se a trabalhar a madeira há cerca de 25 anos, tendo iniciado esta actividade quando tinha 50 anos de idade. Filho de Zé Alexandre, chefe de carpintaria na Fábrica Velha, actividade que desempenhou durante toda a vida, para além de alguns trabalhos na serralharia da empresa e na lavoura, na época a fábrica cedia terrenos da cerca aos trabalhadores para que eles cultivassem. A mãe, como outras mulheres, era escolhedeira na mesma fábrica e criou os seis filhos com muito esforço, chegando a levar alguns numa cesta para o pé dela na fábrica. Tendo frequentado a escola primária na fábrica e depois a Escola Secundária até 5º ano Industrial, foi aluno do professor Nery Capucho e do dr. Calazans Duarte, abandonando a escola com cerca de 19 anos. Estudou por conta própria já que começou a trabalhar na fábrica Marquês de Pombal, com apenas 1O anos de idade, ia abrir e fechar o molde e depois passou para a Fábrica Velha onde esteve até aos 27 anos executando já serviços de serralharia com os senhores David e José Ruivo. Com 27 anos passou para os plásticos na Fábrica do Calazans, onde trabalhou 4 anos e depois dois anos na empresa de José Ruivo, onde foi o primeiro encarregado até ir para o Brasil. A sua ida para o Brasil foi a forma que encontrou para conseguir uma vida mais sossegada, já que, por duas vezes, tinha passado vários meses nos calabouços da PIDE. No Brasil passou 15 anos, trabalhando sempre na indústria dos moldes, sendo também encarregado, mas a integração não foi fácil, porque há muitas contradições na própria sociedade brasileira, considera José Alexandre. O regresso deu-se em 1974, pouco depois do 25 de Abril, logo que soube da revolução. Já com 50 anos de idade decidiu dedicar-se a executar um trabalho que gosta bastante, trabalhar com a madeira, procurando as mais diversas formas. Preferindo executar peças de forma abstracta, o nosso Ilustre é mais um dos artistas que se encontram no esquecimento. Vende as suas peças, apenas a algumas pessoas que o procuram e de quando em vez realiza uma exposição onde vende as peças que vai armazenando. Escondido na sua garagem, vai trabalhando principalmente com sobreiro, porque é a madeira que encontra com mais facilidade, desloca-se aos vendedores de lenha e antes que estes a cortem escolhe os pedaços que mais lhe agradam. O seu trabalho tem início com a madeira em verde, utilizando o seu machadinho; depois utiliza a grosa e por vezes a serra, a seguir começa a passar lixa até obter uma suavidade digna de uma pele, para aplicar o verniz. Nunca executou duas peças iguais, porque vai seguindo ao sabor da madeira até que uma forma que lhe agrada para concluir. Muitas vezes imagina uma certa peça e chega mesmo a fazer um esboço em papel, nesse caso procura um bocado de madeira que lhe permita concretizá-la. É muito raro a madeira definir de imediato a forma final, apenas a oliveira "que é muito desmanchada" permite, aproveitar alguma da forma inicial. Durante todo este tempo calcula que tenha executado cerca de 300 peças, das quais guarda apenas algumas fotografias, porque admite "nunca se ter preocupado com isso". Nunca contabilizou o tempo que demora com cada peça, para "não se assustar" porque se o fizesse teria de levar mais dinheiro por cada peça. No último verão promoveu uma exposição no Sport Operário Marinhense, onde apresentou 40 peças das quais apenas 9 ficaram por vender. O seu último trabalho e que lhe tem dado algumas "dores de cabeça", foi encomendado por uma associação de Pombal para participar de uma exposição comemorativa dos 300 anos do nascimento do Marquês. José Alexandre criou um busto com grandes semelhanças ao homenageado, que vai ser colocado num pedestal. Nesse mesmo pedestal haverá duas faces distintas, uma que simboliza a destruição do terramoto em Lisboa e a outra simboliza a reconstrução que o próprio Marquês promoveu.
in: JORNAL DA MARINHA GRANDE
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