Personalidades
- Acácio António de Almeida Amaral
- Ernestino Gomes
- António Rodrigues
- António Fernandes da Silva (Roberto)
- José Ferreira Gomes
- Álvaro André
- José André (Sobrinho)
- José da Silva Roque
- António Agostinho de Sousa
- António Costa
- Paula Lemos
- Ilídio de Oliveira Guerra
- José Roque
- Joaquim Morgado Matos
- António Gomes do Céu
| José Ferreira da Silva (Zézinho dos Óculos) |
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Nasceu na Marinha Grande em 14 de Janeiro de 1901 e faleceu em Fátima, no Lar das Irmãs Concepcionais, no dia 2 de Outubro de 1977. Foi sepultado na Marinha, como desejara. Seus pais, José Leonardo da Silva e Emília da Conceição Ferreira Gândara, eram também naturais da Marinha Grande. Ferreira da Silva viveu com sua mãe, enquanto esta foi viva. Depois instalou-se na Pensão Tomás, praticamente até morrer. Viveu quase sempre na sua terra, não obstante ter passado algum tempo no Montijo e em Lisboa, onde cursou uma escola comercial. Cedo regressou, tendo sido funcionário dos Serviços Florestais, onde tanto superiores como colegas lhe dedicaram sempre uma amizade só digna de pessoas superiores. Foi sempre como um autêntico poeta. Homem culto, bom e simples, modesto, desinteressado, com poucas ambições. Era principalmente um sonhador, ingénuo e idealista. Toda a sua vida foi dedicada aos versos, a cultura e ao teatro. Participou e colaborou em todas as revistas e peças teatrais levadas a cena na Marinha Grande, sendo realçar o drama em um acto Dever, a peça em três actos Olha para cima, representada pela União da Mocidade Baptista da Marinha Grande, a revista Cantigas e Cristais, de que foi autor juntamente com António Vasconcelos Ribeiro, e também as revistas Marinha à vista, Alô! Alô! aqui Marinha, Ó patego, olha o balão, para as quais fez praticamente todos os versos. Em 1948 publicou um livro de poesia, que intitulou Versos sem Lei, apresentado pelo seu amigo e grande poeta Silva Tavares. A imprensa, não só a regional mas também a diária, teceu-lhe os maiores elogios. Escreveu o Diário Popular: "A sua ignorância voluntária das algemas da forma corresponde de facto, o que nem sempre acontece, um espirito sensível, apaixonado e vibrante. Ferreira da Silva e poeta. Alguns poemas, como por exemplo "Egoísmo", "Paisagem campesina" e "Só", marcaram uma presença. Se a sua expressão não é ainda perfeita, o conteúdo das suas palavras interessa e provoca, por vezes, a indispensável comunhão entre o leitor e o autor". Segundo O Século "O livro Versos sem lei é a revelação de um poeta De entre os que, em Portugal, cultivam a chamada poesia moderna, poucos atingem a musicalidade e a eloquência com que este lírico nos transmite as suas emoções, as quais ora são simples e comovedores, como na "Sinfonia das Mães", ora vibrantes como no "Escravo" e no poema dedicado a Florbela Espanca." Ferreira da Silva colaborou com os seus versos em muitos jornais e revistas, tanto na região como fora dela. De todos os que escreveu, não podemos deixar passar despercebida a canção "A voz do tambor", que transcrevemos a seguir: Mefisto era um pobre palhaço Já velho e gasto e d'olhar já baço Que o pão ganhava pelas ruas da cidade! Mas tinha uma linda filha loura Com rosto d'anjo e olhos de moura Que era o enlevo da sua muita idade! No alto do trapézio ela sorria Ao povo que para vê-la acorria As praças e ruas onde trabalhava. O bom Mefisto, velho e alquebrado Ao ver o povo tão entusiasmado De ser seu pai, todo se orgulhava! E no tambor tão velho como ele De velho som e de uma velha pele Ele rufava sempre com grande afã... E o tambor velhinho, d' alegria Rindo e gargalhando, lá respondia: Rataplan! Rataplan! Rataplan! Plan! Plan! Porém, a vida duma pobre artista Desagradava a jovem trapezista Que tinha mais altos sonhos de vaidade! E numa certa noite ela abalou , O seu fiel povo assim deixou Trocando-o p'lo melhor circo da cidade! E como era jovem e formosa De tão simples se tornou vaidosa Conquistando a fama, às vezes muito vã! E enquanto o pai a via trabalhar no peito sentia o tambor rufar: Rataplan! Rataplan! Rataplan! Plan! Plan! Mas Deus condena a vaidade humana Quando alguém de si tanto se ufana Julgando superior sua personagem! Há sempre um castigo, uma lição P'ra nós vermos como tudo e vão E nossa vida e qual sopro de aragem! E numa noite de glória imensa No meio da alegria! Luz intensa! Ela caiu do alto onde subira! E vindo pelo ar em turbilhão Veio esmagar-se no duro chão Deixando a vida frágil, de mentira Agora, o velho pai, lá pede esmola Nada o ampara, nada o consola Esperando a morte, quase sua irmã Enquanto a seu lado, o tambor chorando Murmura baixinho, num soluço brando: Rataplan! Rataplan! Rataplan! Plan! Plan! Ferreira da Silva foi amigo pessoal de muitos artistas, dos quais destacamos Palmira Bastos, Vasco Santana e Tavares da Silva. Fez parte da delegação marinhense da Pró-Arte. in: CIDADE DA MARINHA GRANDE SUBSÍDIOS PARA A SUA HISTÓRIA - (João Rosa Azambuja)
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