Manuel Francisco Alves
Manuel Francisco AlvesNasceu em 24 de Janeiro de 1874, na povoação de Cercal (Vila Nova de Ourém).
Depois de formado em Medicina pela Escola Médico - Cirúrgica do Porto, veio para a Marinha Grande, em 13 de Outubro de 1903, contratado pela edilidade leiriense, a quem pertencia administrativamente a freguesia da Marinha Grande, para aqui exercer a função de médico concelhio. Tinha ordenado anual de 300 mil reis, com a obrigação de dar assistência médico - cirúrgica também às freguesias de Maceira e Amor.
Homem de rara inteligência, profissional competente, bondoso e filantropo, estava sempre pronto a ajudar os seus doentes, quer fossem ricos ou pobres, quer vivessem na freguesia ou em lugares distantes, para onde se deslocava a cavalo, de dia ou de noite, sempre solícito a acudir. Na maioria das vezes, em vez de receber dinheiro deixava-o para compra dos medicamentos.
Ficou conhecido como "pai dos pobres" pela sua acção meritória no combate à gripe "pneumónica", nos anos de 1918-19, que fez milhares de mortos (chegaram a fazer-se diariamente funerais que incluíam vinte e mais caixões).
Não sendo filho da Marinha Grande por nascimento, dedicou-lhe toda a sua vida. Democrata fervoroso e lutador, fez parte dos partidos oposicionistas ao regime monárquico, lutando pelo progresso e desenvolvimento da vila. Fez parte das comissões formadas para a construção do Hospital e da Escola Industrial e para a restauração do concelho, tendo também, aquando da crise financeira de 1919, emprestado dinheiro à Comissão Administrativa da Nacional Fábrica de Vidros para pagamento aos operários.
Teve na sua esposa, D. Maria da Conceição Amaro Alves, a companheira de onde recebeu a possibilidade financeira das ajudas beneméritas que realizou.
Dentre os seus muitos amigos, destaca-se o Dr. João Soares, ministro do Governo republicano, a quem recorria muitas vezes, expondo-lhe as necessidades da terra.
A par da sua superior inteligência, era também irreverente e sarcástico, tendo alguns episódios curiosos. Baptizou de "comboio de lata" o pequeno comboio das Matas. Não tolerava bêbedos, pois nunca bebeu vinho; teve das primeiras motos que vieram para a Marinha Grande e conta-se que na primeira vez que andou nela teve que consumir toda a gasolina, percorrendo sucessivamente as ruas da Vila, porque não era capaz de a parar; usava por tudo e por nada a expressão "oh! oh! coiso!".
Viveu primeiro no n.º 24 do Largo Ilídio de Carvalho e, após o seu casamento, na casa situada na actual rua 18 de Janeiro, n.° 45, onde bem merecia que fosse colocada uma lápide evocativa do seu bom nome.
O Dr. Manuel Francisco Alves faleceu em 24 de Junho de 1926. O seu funeral constituiu a maior manifestação de pesar e dor até então realizada na Marinha Grande. Nele se incorporou praticamente toda a população, acompanhada pelas autoridades, bombeiros e crianças das escolas, que durante todo o trajecto iam deixando cair flores, última homenagem prestada ao homem que em vida sempre as adorou.
Logo após a sua morte, a CMMG prestou-lhe a homenagem devida, atribuindo o seu nome a uma rua da vila - nome que, inexplicavelmente, foi substituído anos mais tarde.
 

in: CIDADE DA MARINHA GRANDE SUBSÍDIOS PARA A SUA HISTÓRIA - (João Rosa Azambuja)