Manuel Pereira da Costa

Este poeta, nascido em Oliveira de Azeméis a 4 de Fevereiro de 1910, viveu praticamente toda a sua vida na Marinha Grande, onde casou e onde faleceu a 9 de Maio de 1983.

Manuel Pereira da Costa, que na sua mocidade viveu em Lisboa, onde era vidreiro na Fábrica das Gaivotas, veio para a Marinha Grande por volta de 1935 para empregado da Companhia Industrial Portuguesa (hoje Ivima).
Em Lisboa, tinha colaborado no mundo do fado com os seus versos, que foram cantados pelos melhores fadistas dos anos 30.
Na Marinha Grande, prestou colaboração aos periódicos Região de Leiria, A Voz da Marinha Grande, etc..
Homem modesto e grande democrata, aqui criou muitos amigos. Pouco antes de morrer, Pereira da Costa estava a preparar um livro de versos, cuja publicação não teve tempo de realizar.

 

"in Cidade da Marinha Grande - Subsídios para a sua História - João Rosa Azambuja"

Última vontade


    Junto aos cedros funéreos da Marinha
    Espero descansar os ossos meus
    Após ter entregado a alma a Deus
    E escrito a última vontade minha.
    Quero uma campa rasa, pobrezinha,
    Longe daqueles ricos mausoléus,
    Onde por vezes bata a luz dos céus
    - Num lugar onde cresça erva daninha.
    E se algum dia algum de vós passar
    Pela minha morada derradeira,
    Não pare um momento a recordar
    Aquele que, já farto de sofrer,
    Passara maldizendo a vida inteira
    O mundo que jamais pôde entender.


    Marinha Grande, 1959