Maria José da Silva Jesus e Sousa
Maria José da Silva Jesus e SousaAs conchas na mão e o coração nos camiões

A EXECUTAR trabalhos. diversos em conchas, a nossa Ilustre, sonha com o dia em que possa voltar a conduzir camiões, a grande paixão da sua vida.

Maria José da Silva Jesus e Sousa, nasceu em Marinha das Ondas, Louriçal, no dia 20 de Julho de 1952, no seio de uma família de sete filhos.

Os pais trabalhavam na agricultura, trabalho que pela sua dureza, os levou a procurar melhor vida, em terras da Mª Grande. a tempo da M" José. por cá, terminar a instrução primária.

O pai, empregou-se na indústria vidreira, enquanto a mãe, continuou a dedicar-se aos trabalhos do campo.

Concluída a formação primária, a nossa Ilustre, foi ‘servir’ e mais tarde, integrou a equipa de trabalho no Santos Barosa.

A seu tempo, casou e teve duas filhas.

0 amor que nutre pelos automóveis e pela condução, levou-a a conduzir camiões de transporte de material de construção, durante cerca de seis anos.

0 passo seguinte, foi a condução do seu próprio táxi, durante cerca de três anos, cuja praça se localizava na Estação de Caminho de Ferro da Mª Grande, onde também explorava, um estabelecimento de café.

Confessa, que nunca lhe sucedeu nada, que a assustasse de alguma forma, no entanto um grave acidente em que destruiu a, viatura, foi a razão suficiente para que abandonasse aquele serviço.

No entanto não se cansa de dizer, que se um dia lhe saísse o totoloto, comprava um camião para fazer o longo curso "para conduzir mais".

0 interesse pelas conchas, já vem de há muito tempo, diz a nossa Ilustre, que desde que se lembra, cada vez que ia à praia, recolhia as conchas que encontrava e que achava mais bonitas e guardava-as.

Um dia, há perto de uma dezena de anos, imaginou uma peça executada com algumas das conchas que possuía.

Meteu mãos à obra e executou uma e outra e outra, que acabou por oferecer a familiares e amigos.

Na época, era cozinheira, uma outra fase da sua vida em que obtinha o apoio do marido dividindo as tarefas no restaurante que possuíram em Picassinos.

As suas tardes, passaram a ser dedicadas às conchas, porque ao começar a mostrar às pessoas começou a receber pedidos, situação que nunca lhe passou pela cabeça, vender as suas peças, que afinal são únicas, porque não há duas conchas iguais.

As cascas de ostra, que sugerem um tecido arrendado, permitem-lhe executar bonecas e sereias, que decora como se estivessem num jardim.

Com as conchas grandes, cria tartarugas, em que o marido pinta uma suposta carapaça.

Quanto mais furadas e gastas estão as conchas, mais beleza lhes encontra e mais facilidade tem em idealizar algo onde as aplique.

Sente muita dificuldade em encontrar conchas, comparativamente com alguns anos atrás, diz que agora aparecem menos conchas à beira-mar.

Por isso, dedica-se à sua procura de uma forma intensa e acha que já passou todas as praias do país, de "palmo a palmo".

Antigamente, na Praia da Concha, encontravam-se muitas conchas grandes, que agora não aparecem, vale-lhe a boa vontade de algumas pessoas, que ao longo dos anos fizerem algumas recolhas e agora decidiram oferecer-lhe as suas conchas, depois de tomarem conhecimento do seu trabalho.

As cascas de ostra, encontra-as em Alcácer do Sal e Setúbal e na Foz do Arelho, apanha ostras, ameijoas e caracóis.

Ouvir música, enquanto mexe nas conchas, tranquiliza-a bastante, e permite-lhe inventar sempre novas peças.

Presépios, barcos, galinhas, pintos, baleias, peixes, jarras revestidas, espanta-espíritos e arranjos iluminados, são apenas alguns dos artigos que se podem apreciar na, sua banca, na tenda dos artesãos, que se encontra em S. Pedro de Moel, durante o Verão.

Naquela exposição, participa há quatro anos e apenas ali realiza algumas vendas.

Os seus trabalhos, podem ser apreciados, durante todo o ano, na loja de flores que actualmente possui, em Picassinos.

A.C.

in: JORNAL DA MARINHA GRANDE
    (edição de 10 de Agosto de 2000)