Olinda Colaço
Olinda ColaçoDesde muito pequena que trata com a pintura e o desenho, recorda com alguma alegria os serões da família, à lareira, passados a executar desenhos diversos, o gato que ali estava ou qualquer outra coisa, tanto a avó como o pai e a tia desenhavam tudo o que lhes apetecia.
O avô foi o primeiro Governador Civil de Leiria, depois da Implantação da República, a família ainda guarda cartas que lhe foram enviadas por Bernardim Machado.

Fez a escola primária na Embra, foi aluna da professora Rosa, admite não ter sido uma boa aluna a matemática, mas em português e desenho "era uma barra".

A professora, todos os dias fazia um desenho diferente no quadro, isso levava a nossa Ilustre a passar esse desenho a cores para o seu caderno, só depois dava atenção à matéria.

Fez o ciclo preparatório, onde se encontra hoje o auditório do Museu do Vidro e a bilheteira do cinema, depois foi estrear a Escola Secundária, mais tarde denominada Calazans Duarte.

Foi aluna do Professor Calazans a Física e Química e com o professor Nery Capucho teve aulas de desenho. Considera-se nascida em "berço de ouro", viveu uma infância feliz, sempre rodeada de muito carinho e tratada com todo o requinte.

Desde sempre teve acesso à cultura de uma forma muito intensa, aprender música marcou-a tanto que, não consegue trabalhar sem estar a ouvir música.

Maria Olinda Gomes Roldão Colaço, nascida na casa onde ainda hoje reside, na Marinha Grande, em 15 de Dezembro de 1945.

Apenas com uma irmã mais nova Olinda Colaço, sempre viveu na casa que já era dos bisavós e dos avós, ali nasceu também o seu pai que tinha grandes dotes para a pintura, mas nunca se dedicou inteiramente à arte, esteve na função pública, foi criador de muitos modelos fabricados pela Angolana, fábrica de vidros agora ao abandono, tendo pintado o catálogo da fábrica todo em aguarela.

A mãe foi empregada do Alípio Morais, na fábricas das ampolas, até 1942, depois de casar. com 30 anos de idade foi para casa.

Como, o pai lhe dizia que, ''os bonecos não dão comer a ninguém", a Maria Olinda, como assinava nos seu primeiros trabalhos (1973), sempre escondeu tudo o que fazia, no entanto de pois de casada, foi incentivada pelo marido no sentido de avançar com os seus trabalhos, passando a assinar por Olinda Colaço em 1980.

Nessa época recebeu uma dezena de lições do professor Nery Capucho, sobre pintura a óleo.

Quando saiu da escola integrou o grupo de trabalhos na "Gisarte", uma fábrica de decalcomanias, lá trabalhou três anos criando desenhos.

A 1ª série que fez, ilustrava os jogadores de futebol do Sporting e do Benfica, mais tarde obtiveram a exclusividade para os desenhos do programa televisivo "Carrossel Mágico" e depois foi efectuado um contacto com a Walt Disney, para obter um contrato de exclusividade de todos os desenhos.

Para aprovar o pedido, vários técnicos da empresa deslocaram-se à Marinha Grande para analisar os trabalhos, que depois foram para os Estados Unidos para serem autenticados.

Admitindo que sempre fez o que gosta Olinda Colaço, passou depois para, Roland Decal (Zé Rolando), onde ficou catorze anos, a chefiar a secção de desenho.

Para experimentar pintura em vidro e criar os seus próprios modelos dedicou-se inteiramente à pintura em 1980, atitude da qual não se arrepende.

Tem vindo a executar também vitrais, dos quais se podem destacar os painéis laterais do altar-mor da igreja de Marinha das Ondas.

Das cinquenta exposições que realizou, arquivou fotos de todos os trabalhos, os que expôs, os quê vendeu e a quem vendeu.

A inexistência de uma sala adequada na Marinha Grande está a impedi-la de concretizar a sua exposição do ano 2000, Olinda Colaço pediu autorização à Câmara Municipal para expor no Museu o Vidro ainda não obteve qualquer resposta.

A situação cria alguma frustração, depois da artista ter recusado convites para expor noutros locais do país e ter recusado, quando pensava fazê-lo na sua cidade.

Actualmente a artista tem quatro alunos a quem fornece conhecimentos de pintura desde o desenho e sente uma grande satisfação pela evolução verificada nos trabalhos.

Apesar de "nem sempre ser fácil", sente-se realizada e satisfeita com o que tem feito.

Pretende pintar enquanto as condições físicas o permitirem.


in: JORNAL DA MARINHA GRANDE
(edição de 02 de Dezembro de 1999)