Personalidades
- Acácio António de Almeida Amaral
- Ernestino Gomes
- António Rodrigues
- António Fernandes da Silva (Roberto)
- José Ferreira Gomes
- Álvaro André
- José André (Sobrinho)
- José da Silva Roque
- António Agostinho de Sousa
- António Costa
- Paula Lemos
- Ilídio de Oliveira Guerra
- José Roque
- Joaquim Morgado Matos
- António Gomes do Céu
| Vergílio Oliveira Lemos |
"Fundador conta os primeiros passos do JMG" Numa altura em que o JMG comemora 37 anos de, vida, importa lembrar os seus fundadores, como José Martins; Pereira da Silva (já falecido) e Vergílio Lemos que, numa altura não muito propícia à liberdade de expressão deram um grande impulso à imprensa marinhense. Vergílio Lemos tinha 20 anos quando "agarrou" este projecto, na altura, era redactor correspondente da página " Voz da Marinha Grande" no Jornal "Região de Leiria". No JMG, ficou até fins de 1975 e conta que o ambiente que se vivia na altura "era o de estarmos sempre a escrever, sem termos a certeza de que o artigo iria ser publicado. Vezes houve em que a redacção foi 'visitada' sem ser pelos vulgares larápios, como acções de intimidação. Por esse motivo, a linha editorial pretendia ser "o mais 'independente' possível para não fazer ondas. Vale mais um 'cobarde' vivo que um herói morto", confessa. Agora, empresário, Vergílio Lemos, conta como tudo aconteceu: "Várias tentativas tinham sido feitas, por várias personalidades ou grupos no sentido de se conseguir um alvará para um jornal na Marinha Grande. Obviamente, que isso era impossível dada a 'fama' da M' Grande. Nós próprios o tentámos sem êxito. Em 1962 vem ter comigo um senhor de nome Arsénio Sampaio de Andrade, por indicação do então director do Região de Leiria, no sentido de ver da hipótese de lhe conseguir algum emprego aqui na cidade. Conversa puxa conversa, ele diz-me que também tem alguma experiência jornalística, que pertencia à Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto. Inteirei-me dos seus conhecimentos a nível de imprensa e falei-lhe do desejo de fazer um jornal na Mª Grande. Entusiasmou-se com a ideia e resolvemos ir um dia a Rio Maior falar com o proprietário da Gráfica Editora para ver que ajuda poderíamos ter. A ideia foi bem recebida. Tentou-se, de novo, a obtenção do tão almejado alvará, sem êxito. A censura não cedia. Já estava quase sem esperança quando, numa conversa na Gráfica com o seu proprietário - Sr. Lopes - lhe ia pondo hipóteses de 'darmos a volta' ao assunto para conseguir o objectivo desejado, ele se lembrou de uma outra hipótese - tinha em seu poder um alvará de uma publicação que terminara - a revista de cinema 'Celulóide', da qual era director Fernando Duarte. Tentou-se então, porque a via era outra, alterar o título da publicação atrás citada, para ”Jornal da Marinha Grande" com o mesmo director, o que pasme-se, resultou em cheio e dias depois tinha a Gráfica Editora ao telefone aos gritos de contentamento porque tinha conseguido a alteração do titulo. Tínhamos, finalmente, um Jornal na Marinha Grande!" Faltavam, agora, os recursos humanos. Para tal, Vergílio Lemos endereçou o convite a José Martins Pereira da Silva, com quem tinha colaborado já na "Voz da Marinha Grande", assim como, ao mesmo tempo, a seu sobrinho Dr. Gustavo José Pereira Barosa. O corpo redactorial começava a ganhar forma, ficando completo com as prestações de Fernando Pedro, Telmo Neto, Mário Jorge, Eduardo Dias Ferreira (EDIFER), José Ricardo, entre outros. A censura Uma semana depois o 1º. número do Jornal da Marinha Grande estava cá fora, "o que foi para nós uma grande alegria e uma grande 'bronca' para os meios políticos de então. Sabemos que grandes indignações chegaram à então Comissão de Censura e ao próprio SNI (Secretariado Nacional de Informação) por terem permitido um Jornal na Marinha Grande", explica. As notícias, normalmente poucas, eram de recolha local. Quanto às fotografias "eram um problema. Não tínhamos máquina, mas as que conseguíamos eram em zincogravura (muito demoradas) ou na Gráfica Editora em Rio Maior, a partir de uma máquina raríssi- ma na altura, que já produzia fotos em chapa de plástico. A revisão é que era um problema - lá tínhamos que ir uma vez por semana, ao fim do dia, a Rio Maior no velho Volkswagen do Dr. Luciano Guerra!" Durante 12 anos, alguns pequenos acontecimentos fizeram história como um caso curioso que lhe aconteceu e, como sublinha, "deixa transparecer as mentalidades das pessoas que então nos 'dirigiam': Era censor oficial em Leiria, nessa altura, o Capitão Trovão da GNR. Tinha um lápis muito grosso e irrequieto... Recordo-me de um dia, após termos verificado que tinha cortado totalmente um artigo de opinião, daqueles em que nós próprios não víamos nenhuma hipótese de corte, ainda que parcial, nos abeirámos; dele e lhe perguntámos em tom cordial: - Ó meu Capitão, o senhor cortou-nos um artigo que nada tem de mal... Resposta do Capitão Trovão: - Ah não tem nada de mal!? - Sabem onde está o 'veneno', sabem? - É nas reticências e o artigo termina com elas. Não sabem que as reticências podem valer mais que mil palavras? Ele disse uma verdade, mas por acaso nem se aplicava naquele caso. Outro episódio curioso: Uma semana, já o jornal era feito na gráfica em Leiria, telefona-nos o Sr. Neto dizendo: 'A censura cortou praticamente todos os artigos que vocês mandaram. Tenho a tipografia quase a fechar, o que é, que eu faço? - Aguente - dissemos-lhe nós. Amanhã de manhã tem material não sujeito a corte. E assim foi. Reunimo-nos e resolvemos fazer um jornal com outra cor que não o verde, todo cheio de artigos e histórias humorísticas do mais puro que se possa conceber. 0 censor não gostou da afronta, mas não havia nada para fazer funcionar aquele irrequieto e feroz lápis. E o jornal saiu!" A todos aqueles que consigo colaboraram na feitura do jornal, desde a simples redacção até à distribuição, passando pela paginação, pela substituição de artigos à pressa "cortados" pela censura, pela dobragem dos jornais e até pela colocação de endereços, Vergílio Lemos endereça-lhes "um grande abraço". À actual direcção, o fundador do JMG, agradece "por esta oportunidade e por manter o logotipo inicial". Carla Salsinha in: JORNAL DA MARINHA GRANDE
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