Personalidades
- Acácio António de Almeida Amaral
- Ernestino Gomes
- António Rodrigues
- António Fernandes da Silva (Roberto)
- José Ferreira Gomes
- Álvaro André
- José André (Sobrinho)
- José da Silva Roque
- António Agostinho de Sousa
- António Costa
- Paula Lemos
- Ilídio de Oliveira Guerra
- José Roque
- Joaquim Morgado Matos
- António Gomes do Céu
| Vitor Salgueiro |
Descobriu o maçarico quase por acasoNASCIDO na Marinha Grande, no lugar de Casal Galego, no dia 5 de Janeiro de 1949, no seio de uma família de seis filhos. 0 nosso Ilustre desta edição, é agora reconhecido pelo trabalho que executa ao maçarico. Trata-se, de artesanato de vidro soprado, de onde saem candeeiros, cabaças, pêras, jarras, cálices de engano e muitas outras peças bastante variadas. As peças, que ele próprio cria, são também decoradas e cozidas pelo próprio artista que, para isso, criou as condições necessárias. Tal como tantos outros artistas, por vezes, senta-se ao maçarico à noite, a executar peças que imagina e que só coloca no mercado depois de obter várias opiniões. Foi há cerca de quinze anos, que aprendeu a trabalhar ao maçarico, incentivado por João Sousa do Carmo,, que achou que ele tinha geito. 0 pai, era despachante dá CP e faleceu, quando tinha apenas 39 anos de idade, deixando, os filhos muito novos. A mãe, que era doméstica, viu-se obrigada a empregar-se como empalhadeira para conseguir sustentar os filhos. 0 nosso Ilustre frequentou a escola primária da Embra concluindo a 4ª classe. De seguida, foi "levar acima" na Fábrica Escola Irmãos Stephens. Recomeçou os estudos, cerca de dois anos depois, com a ajuda do irmão mais velho, "o irmão Zé”, que lhe subsidiou os estudos. Aos catorze anos, foi trabalhar para Colombo Tobias Sterne onde, entre outros artigos, executavam cintos para os electricistas. Pouco tempo depois, nova mudança, desta feita para a Normax, onde foi trabalhar no escritório. Ali, acabou por fazer praticamente de tudo e mudou para a secção de gravura, que mais lhe agradava. Foi naquela empresa que obteve "as primeiras luzes" a nível do trabalho como maçarico. Ali, o sr. João viu que ele tinha jeito para aquele trabalho e não descansou enquanto não o ensinou a executar algumas peças. Devido a doença do foro neurológico, provocada por várias situações, entre as quais o "stress de guerra”, agora reconhecido nos militares, acabou por ser reformado, há cerca de 15 anos. Passar dois anos, "debaixo de fogo", em Angola, já casado e com uma filha, foi bastante desgastante para Vítor Salgueiro, à semelhança de tantos outros milhares de soldados anónimos, que passaram pela mesma expe- riência e ainda se ressentem hoje de toda a pressão que viveram. Aguentam-se, muitas vezes graças ao apoio da família, que também passou a sua quota parte de sofrimento. Ao ver-se com uma reforma bastante baixa, como é vulgar, viu-se obrigado a procurar alguma forma de ajudar o orçamento familiar e dedicou-se então ao maçarico de corpo e alma. Inicialmente, executava peças iguais às do seu professor mas, pouco depois, passou a criar os seus próprios modelos. Como as peças, "têm um certo tempo de vida", é necessário renovar os modelos de vez em quando, diz. Por motivos de saúde, vai deixar de participar em feiras de artesanato e, entretanto, deve apresentar umas novas peças, que podem. vir a ser utilizadas como brindes de casamento. Sente que o artesanato, tem vindo a sofrer uma crise, desde há cerca de um ano, talvez devido aos produtos orientais, que aparecem no mercado a preços muito baixos. Além disso, as pessoas, por vezes, não reconhecem a qualidade e não encaram bem. certos preços dos artigos de artesanato. A sua paixão pela caligrafia, fez com que tivesse notas altas na disciplina, ministrada pelo professor Sobral e quando regressou de Angola, foi para o Curso Geral de Comércio, onde mais uma vez foi tirar caligrafia. Ainda hoje tem pessoas que procuram as suas peças pela sua caligrafia, da qual se orgulha, porque "gosta de fazer coisas bonitas". A.C. in: JORNAL DA MARINHA GRANDE
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Descobriu o maçarico quase por acaso