Joaquim Morgado Matos

Na Ordem toda a gente o conhecia por Quim Matos.

Foi vidreiro na Fábrica Ricardo Galo, onde começou a trabalhar com apenas seis anos de idade. Devido à sua tenra idade e à escuridão dos caminhos, era a sua irmã que o levava diariamente até à fábrica.

Ainda muito jovem, participou numa greve levada a cabo por garotos (pequenos operários) que ficou conhecida por Greve das Alpargatas. Reivindicavam apenas um melhor salário, que lhes permitisse comprar um par de alpargatas, para os pés doridos e calejados de tanto andarem a pé.

Marcado desde criança pela dura luta e com grande consciência de classe, aderiu ao Anarco - Sindicalismo, movimento que se opunha ao regime Salazarista. Lutou contra a estatização dos sindicatos e aderiu ao movimento revolucionário de 18 de Janeiro de 1934. Em consequência disso, no dia 29 de Janeiro, a polícia foi buscá-lo à fábrica e levou-o preso. Daqui foi transferido para a Trafaria e passados nove meses embarcou para Angra do Heroísmo, onde permaneceu dois anos.

Na prisão, tentou manter-se vivo, ocupando o tempo da melhor maneira possível. Conseguiu aprender a ler, e a escrever - "Cultivou-se", como ele próprio costumava dizer.

Durante todo este período, sua esposa, Conceição Domingues Matos e os dois filhos, sobreviveram graças à solidariedade de familiares e amigos. Quando regressou, bastante debilitado ingressou de novo na mesma fábrica, mas poucos anos depois teve de reformar-se.

Viria a falecer a 30/9/1986, depois de prolongada doença, que o imobilizou durante vários anos.

in: AO ENCONTRO COM O PASSADO
Autora: Deolinda Bonita
Edição da Autora
Data da Edição: 1993

.