Ernestino Gomes
Ernestino GomesNatural de Picassinos, onde nasceu a 11 de Novembro de 1935.
Frequentou a escola primária desta localidade até fazer o exame do 2° grau.
Como havia uma mercearia (onde é hoje o depósito do pão da Da Olinda, viúva do Sr. Laurindo Alexandre) cujo dono era o Sr. Augusto dos Santos (mais conhecido pela alcunha de "O Candonga") e que não sabia ler nem escrever, o Ernestino pediu ao seu pai para ir trabalhar na sua mercearia. Assim lá esteve cerca de 2 anos.
Ganhava 50 Escudos por mês (cerca de 0,25 Euros) com direito a almoço e jantar.
Aos 13 anos foi-lhe oferecido um clarinete (que conserva religiosamente) por um tio de Lisboa. Como gostava imenso de música foi aprender solfejo, sendo o seu professor o Sr. António Costa que morava em Picassinos (e que fez parte do Jazz dos 5 Litros, etc.).
Continua depois a estudar música na Marinha Grande com o Sr. Inácio que já possuía um grau de formação musical mais avançado. Aos 14 anos já tocava clarinete ensinado pelo Sr. António do Carmo (mais conhecido pela alcunha de "O Espampanante", o pai da Lenita Gentil).
Dos 14 aos 17 anos foi carteiro em Picassinos, Tojeira e Pedrulheira (o primeiro carteiro de distribuição domiciliária em Picassinos, tendo-se-lhe seguido o José Henrique Alexandre. Anteriormente o correio ficava em depósito, como aconteceu na Loja do Sr. Álvaro Maria da Silva e aí era procurado por cada cidadão quase à semelhança da actual posta restante nos CTT).
Aos 17 anos começou a trabalhar na firma Edilásio Carreira da Silva, (onde passou a ganhar 10 Escudos por dia, cerca de 0,05 Euros após ter estagiado/trabalhado um mês de graça, conforme o uso da época). Aqui trabalhou 25 anos para depois se estabelecer por sua conta (na Planimolde e com outros sócios) donde se veio a reformar aos 65 anos.
Recorda que quando tinha 15/16 anos foi convidado para fazer parte da Orquesta dos Pinantes para ir substituir o acordeonista que pretendia sair. Este acordeonista era o Sr. Pepe Venturini, italiano que tinha imigrado para a Marinha Grande com a família. Este prontificou-se a ser seu professor e o Ernestino foi seu aluno quase 2 anos.
Finalmente, por volta de 1953 começou a tocar nos Pinantes, onde esteve por vários anos. Fez também parte de um conjunto musical chamado "Vera Cruz" e, por último, também fez parte do conjunto "Melodias de Sempre" (com Sampainho, Florival, Vítor Silva, Carlos Duarte (falecido) e o Hélder Nobre). Em ocasiões festivas ainda toca acompanhando o Hélder Nobre que canta.
Hoje o seu passatempo preferido continua a ser a música. É muito fácil encontrá-lo em sua casa, rodeado da sua aparelhagem de ritmos, pedais, acordeons, etc. e no meio de um sem número de pautas. É um entusiasta extremo da música.
in: Picassinos e seus Vultos - Alfredo Ferreira
Autores: Hermínio Nunes, Isabel Ferreira, Luis Abreu e Sousa
Edição: Sociedade Instrução e Recreio 1º de Maio - Picassinos
Data: Maio de 2006