Poesia
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- Maquinais - A Máquina de Caminhar
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- Maquinais - Máquinas de Mal Amar
- Maquinais . Máquinas de Maldizer
- Maquinais - Máquinas da Memória
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- Espelho de três reflexos
- Aquém e Além do Meu Casaco
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- Para Lá da Onda Que Começa
- Só porque...
- Gravidade Zero
- Priv@do n.º 0.04.1999
- A Grande Dúvida
- Dedicatória
- Sonho de Poeta
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- Quando um Mentiroso fala Verdade
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- De mim para Vós
- Poesia Diversa
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- Rimas ao Vento
| Terra / Templo |
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Álvaro da Silva André - Poesia Terra / Templo ""........Para aqueles que já não vivem ( já não vivem ? ), a minha homenagem póstuma. Para os que já foram ou ainda são orantes no Grande Templo da Terra." A morte do Poeta No dia em que o Poeta deixou de cantar Amor Ama-se ao longe Apesar dos homens Apesar do tempo Corre-se Chora-se Sofre-se Sonha-se E através de longos caminhos Depois das trevas Ama-se Vai-se a noite Já amanhece Terminado o pesadelo Ama-se Vive-se Amor Apesar da guerra Não se vive senão de Amor Apesar da morte
Angústia
Depressa, Mestre ! Bem aventurados os que não viram e acreditaram Disse o Profeta Foram séculos de vida de cada um Tantos sorriram Troçaram E os Pobres do Reino Prometido Uma Esperança no peito acalentando Esperaram A planura dos caminhos recusaram Escorrendo sangue e lágrimas Pelo deserto da incerteza caminharam Buscando no longe da Morte Uma entrada estreita iluminada Que ao Oásis da Verdade os conduzisse E aí o Profeta lhes dissesse Entrai amigos Na Mansão desde sempre preparada
Longe do perto Perto Ou longe de mim Não sei Só sei que não mais vi Ânsias que dei Dão-me sorrisos E frases E gestos Que fabriquei Sentimentos que exprimi Ilusões que acalentei Desses todos fugiram Não sei para onde Nem como Nem porquê Só sei que os não recebi Falei Sorri Fechou-me meu sorriso Foram-se minhas palavras Não fiz que alguém me escutasse Não fiz que alguém me sentisse Fiquei-me ao longe Na esperança Que me ouçam Que me sintam Que me entendam Que me não mintam Esperança de gestos De palavras De atitudes Isto cansa E cansa!... Vou fugir daqui Fugir à esperança Buscar outro concreto Num longe Muito longe Que se diz perto O bombo furado Ia ser um grande baile Com festa de caridade Estava a sede engalanada As gentes num alvoroço Era quente e trovoada Nem lembro já bem a data Era pequeno isso sei Era domingo estival Em festanço de aldeola Daqueles que os pobres fazem Bailaricando esquecidos Deixando no areal Tantos dias tantos anos De sofrimentos vividos Lá em casa havia músicos Meu pai era o maioral Os instrumentos ficaram Guardadinhos lá no quarto Furtados à filharada Nascida daquele casal Não sei bem como aquilo foi Descobrimos o tesouro Afanados rebuscámos A porta do arsenal Fizemos dim dlom na viola Tocámos na pandeireta Assoprámos na trompete Enfim pintámos a manta Antecipámos a festa Nossa alegria era tanta Que não vimos a fraqueza Da pele do bombo guardado Encostadinho à parede Daquele quarto transformado Pela garotada em orquestra Aconteceu o desastre Uma cadeira mudou-se Com o pai fora e a mãe Ocupada noutras coisas A pele do bombo furou-se Veio o homem do carreto Toca lá a carregar Um uivo seco nos ares Desgraçaram minha vida Como arranjar este bombo ? Mesmo ao centro tem um corte Diz lá mulher diz irmão Está tudo preparado Estão os bilhetes vendidos Vamos para a festa sem bombo ? E os outros que pensarão ? Dos promotores da festa Como se o mundo acabasse Só palavras de censura Lá se foi o nosso encanto Só o tempo levaria Aquele dia de amargura Olá, Amigos É quando tomba a noite O vento assobia A chuva cai E as árvores se balançam Quando os meus já dormem A casa está em silêncio As trevas reinam na aldeia Cães ladram ao vento Quando um carro rasga as trevas As gentes se apressam a voltar Separam-se os amigos Estão cheias as casas nocturnas Quando a Natureza se esconde O Sol alumia outras terras A Lua se acende medrosa E nuvens correm no Céu Quando gritam máquinas Operários da noite bocejam Padeiros cozem o pão E nas guritas sofrem sentinelas No leito gemem amantes Crianças choram nas barracas No passeio oferecem-se mulheres E vagabundos queimam o tempo Quando a noite anuncia o dia O relógio não cessa de rodar Animais caçam outros animais E tremem aves à brisa fria Vou percorrendo os espaços Vou recordando amigos E lamento os pobres Choro o meu sofrimento Rezo os meus deuses Grito a minha revolta Canto a minha alegria Levanto um olá aos Homens Correndo com eles no tempo À busca da Felicidade
Silêncio Quase tropeço nele Acendo o foco Saltitou Apago o foco Espero em silêncio Pinga o orvalho Ressume a terra Vida extenuante É tudo sombras Mergulho na escuridão Repesco o foco Procuro o monstro Espero mudança Imensamente parado Parecido com as pedras Escuro como a terra Esperando Esperando Calhau ou fantasma Baloiça o papo Quieto Calado Só Um sapo Peregrinos Vão as multidões ao Santuário Deixando nos caminhos sangue Vertido dor E cada lenço é um sudário Arrancadas à alma são as horas Deste duro peregrinar A esperança a brotar no coração É um grito ao homem que ficou Que no fundo Bem lá dentro de cada um Um só anseio impele à caminhada Encontrar em qualquer lado Para além da finitude A Paz que entre os homens Sempre vai sendo adiada Suicídios Nitratos Explosivos Explosões Montanha esburacada Bloco granítico escaqueirado Ninho/casa pulverizada Aves/homens piando Só resta a vida Maldade mais inveja Mais ódio O espírito iluminando Um fuzil um canhão Cogumelo de fogo A Terra arde E uma multidão Morrendo O suicida escancara o riso alvar Medo e mais vingança Ofusca-me a luz dum sol escurecido Morre uma flor Uma criança Da orgia da morte nada resta Nitrato Explosivo Explosão Parte da História Macabra a festa
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