Poesia
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- Maquinais . Máquinas de Maldizer
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- Ao Sabor da Roda
- Espelho de três reflexos
- Aquém e Além do Meu Casaco
- Insónia
- Verdades Mal Pensadas
- Para Lá da Onda Que Começa
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- Gravidade Zero
- Priv@do n.º 0.04.1999
- A Grande Dúvida
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- Sonho de Poeta
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| Comunicar |
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Carlos Alberto Gregório Barros - Poesia Comunicar "Pesa mais estacionar uma mentira na consciência, Decidir Parem este comboio, senão salto. É aqui desta garagem Onde amarrado habito que eu quero finalmente sair Apear-me para fora deste momento saltar e partir Não. Esta não é, nem nunca foi a minha carruagem Qual é então a minha estrada? Se esta que percorro Não tem bermas onde possa encostar as minhas razões. Passam por mim as paragens, os apeadeiros e as estações Onde os anos não abrandam, nem travam o meu pedido de socorro Decididamente vou a pé por esta janela virada para dentro deste canto Com vidros à prova da verdade e aberta a destinos perdidos em ondas cheias De revoluções castradas de ideais, parindo ilhas cercadas de desencanto Será neste self-service onde "25 de Abris" são servidos frios de ideias Que gritarei: Alto! em nome de um homem cheio de cruzamentos e com tanto Por navegar, rasgam-se-me ainda arados de esperança em verdes epopeias. Fevereiro / 1999 A Minha Cidade A minha cidade tem uma rua que vai do princípio até ao fim Cruzada em ambos os lados por estradas, alamedas e avenidas Rasgando bermas povoadas de passeios cheios de chegadas e partidas Tem também becos com travessas ladeadas por bancos de jardim A minha cidade tem um pôr do sol que nos magoa de saudades quando ausentes E que abraça este mar cheio de verde, com pinheiros de cristal ao peito. Tem cheiros de chaminés em sinais de despedida e fábricas sem preconceito De apontar a saída, poluindo o orgulho gravado no sentimento destas gentes A minha cidade tem sorrisos largos, olhares profundos e vozes amenas Onde circulam amizades, 100 sentidos de movimentos abertos a misturas De cores, de palavras e de actores construindo sempre novas cenas Na verdade não há muros que a minha cidade não salte com procuras Constantes de novas comunicações trilhando destinos de ruas serenas Cheias de tráfegos sem limites e livres de construir novas aventuras Junho / 1999 Simuladores Habitantes da noite, guerreiros da causa perdida Luzes artificiais fundidas em gestos parcos no estender da mão Construtores de máscaras sem expressão e de vontades sem guarida Errantes marginais deambulando entre sinais de repetida negação Parasitas de ruas paralelas, mirradas pelo vácuo, na indiferença, injectado Escombros, espaços vazios, sombras, vícios entre os dedos a queimar Enredos de imagens com palavras cada vez + cruzadas por decifrar Peões dum jogo sem regras, figurantes dum filme com o final manipulado Resultados finais do encolher de ombros que veste a nossa sociedade Remetidos para o apagar do dia, esquecidos na gaveta da outra verdade Alvos fáceis de interesses camuflados no apontar do dedo, afinal quem são? São apenas simuladores, simuladores da felicidade de curta duração. Frágeis elos que fortificam as correntes dos que semeiam a escravidão Ausentes não. Temporários talvez, mas sempre candidatos a uma oportunidade. Maio / 2000 Mar Chegar até ti, ver-te, cheirar-te, sentir-te, tocar-te, mas sem nunca te ter Ir até ao mais profundo de ti e abusar da tua imensidão, mas sem nunca te possuir Seguir os teus movimentos indiferentes ao olhar, apenas a frieza dos teus gestos fazendo-se ouvir Teu corpo selvagem desperta paixões que, se não te domam te exploram, mas sem nunca te poder deter Quantas vezes foste confidente de segredos e o teu corpo o guardião fiel Usaram-te para se gladiarem e serviram-se de ti para encontrarem o seu fim Aproveitaram o teu bom humor para te percorrer e sem esperarem pelo teu sim De ti comeram, em ti se inspiraram e tanto te poluíram e ignoraram o teu papel Gritar-te bem alto para me ouvires, Ho mar, Ho mar, Não ouves. Não me ouves quando o meu olhar nas tuas cores se perde e te chama Eu sei que a tua resposta vem nas ondas e que são o teu jeito de comunicar Porquê as rotas que em ti traço, te provocam a ira e a revolta? Se és a cama Onde viajo, o sonho que trajo e o alimento do meu embaraço, deixa-me voar Embalado no teu longo abraço, soprar as velas, navegar ao vento e povoar o espaço que te afama. Abril / 1999
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