Poesia
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| De mim para Vós |
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F. Paula Figueira - Poesia De mim para Vós " Pouco entendo de rimas e de métricas mas mesmo assim são os meus poemas... " A Paz é Possível Não tenho medo da paz do silêncio do irmão. Tenho medo do ódio da fome que trazes na mão. Se ainda fosses capaz de gritar pl'a liberdade, nasceria no teu peito a palavra verdade. Ela está bem junto a ti não precisas perguntar. Quando fechas os teus olhos vês a terra de encantar. Abre os olhos sem temor que eu estou contigo a sorrir. A Primavera chegou e é tempo de partir. Deixa as palavras ocas as promessas de poderes. Que o mundo ainda pode ser aquilo que tu quiseres. Se construir é difícil sabe melhor a vitória. Esquece as armas agora por um minuto de glória. Amen Há raízes que eu não arranco sem um lamento. Há frutos que não colho sem crescimento. Há pessoas que não posso amar sem sofrimento. Há barcos que não posso ver sem atracar. Há um luar que só posso ver em alto-mar. Há sempre um sonho em que eu posso naufragar. Há só lugares por onde errei. Há estrelas que eu nunca contemplei. Mas... Há momento que eu nunca esperei...! Há dias que a certeza não existe. Há dias em que o sol não desperta. Há sonhos que não crescem olhares sem um sorriso, um gesto que fazemos sem saber. Há horas de procura de um lugar. Esperas sem destino e acordar. Viagens sem sentirmos a partida ou a chegada de alguém. Há horas que são feitas a correr. Mas há em cada um de nós o riso de quem espera pela paz... a chama de quem sonha mais além. Esperamos o grito de uma trombeta que nos faça erguer com todo o mundo. Deixa Deixa que o sol se irradie nos teus olhos Deixa que a lua te convide a sós. Deixa que a chuva te embale numa canção. Deixa que o Arco-Íris dê cor aos teus sonhos. Deixa percorrer a madrugada nos caminhos da tua mão. E quando a dor chegar, a solidão vier, a alegria te abandonar e a desventura pegar na tua mão, não estarás sozinho. Poderás contar com as coisas mais belas. Sentirás que não estás sozinho neste mundo. Deixai-me ir Ah! Soltai-me! Deixai-me rasgar o céu da vida como ao ventre de minha mãe. Deixai-me sugar a limpidez dos rios de seiva que eu procuro...por aí. Por favor...! Soltai-me! Deixai-me. Não me detenhais! Que eu vou ao encontro de uma essência rara, de uma palavra por inventar, de um Amor adormecido que eu pretendo despertar...para sempre. Quero soltar as amarras, largar o meu barco às ondas e vogar... por esses mares além... à procura de águas mais calmas, mais fundas. Não me prendam por favor! Deixai-me ir desenfreada. Quero ver a liberdade antes que alguém me detenha... até que alguém me retenha! Medo de partir Porque continuas em teimar ver o sol sempre no alto Quando ele bate todas as manhãs à tua porta? Porque insistes em contemplar as estrelas no céu Quando poderias mirar nos olhos do teu irmão? Porquê? Diz-me porquê!... Diz-me. Porque olhas a tua terra como se estivesses perdida Quando poderias ver uma nova terra...! Porquê continuar a esperar a morte Quando a vida está dentro de ti? Porque imaginas sempre a felicidade Quando poderias construí-la? Porque só vês noite onde poderias ver dia novo? Porque teimas em rastejar pelo pó da indiferença Quando te é pedido o teu pensar, O teu ser, o teu coração...?! É porque ainda não descobriste Que para além da escuridão Existem horizontes mais brilhantes Onde não há miragens, Onde tudo é mais verdade, Onde acaba a mentira e começa o Amor. Sim... É esse lugar que tu sabes Mas para onde tu tens medo de partir!... Medo de mudar...de abandonar...! É essa vida que tu não entendes bem Mas que sabes ser a verdadeira: A Fraternidade. Para te ter aqui Quantas vezes desejei se gaivota voando esses mares por onde andaste. Quantas vezes quis ser navio chorando nessas águas por onde navegaste. Ah! Quantas vezes pensei ser estrelinha iluminando rotas que seguiste. E ser vento, chuva, vaga do mar estar em cada cais donde partiste. Quantas vezes pensei ser até amazona pr'a estar contigo em montarias. Tudo pr'a te ter aqui... realizando meus sonhos e fantasias. Soneto de esperança diluída Mais um dia se vai. Outro dia virá. Esperarei até mais não. Cansarei. E toda a esperança se esvai. Pouco a pouco, lentamente ela se afasta de mim. É como queimar alecrim ao som da canção dolente. E nesse dia morrerei como a parafina desfeita, alegre, não mais sentirei o esvaziar do encantamento que a esperança deleita ainda que por um só momento Sou bicho da seda Quando todos procuram Eu sei que já encontrei. Quando todos desejam Eu já conquistei. E quando todos encontram, Quando todos conquistam, Eu sei que recomecei. Tudo é normal. Tudo se conjuga como eu quiser. Basta que o verbo seja eu. Em tudo há um lugar para mim. Em mim há um lugar para tudo. Eu sou e não sou. Sou bicho-da-seda: Cada fio construido Dias a fio no casulo À espera de uma aurora romper, Deixar surgir, esvoaçar Esta borboleta multicor. Vai mariposa. Vai... Volta a procurar Volta a desejar, a recomeçar, A encontrar o teu lugar... Volta ao lugar de te encontrar. Tanto que eu vivi Tanto... Tanto que eu quis dar... fazer os outros viver intensamente! Tanto que eu segurei mãos abandonadas abracei jovens e velhos limpei lágrimas de solidão...! Parcos anos contados ainda mas tantos dias vividos... renascidos em cada madrugada por vezes até sem o saber até sem ver o Sol. Queria tanto... tanto... tudo e perdi-me nesse querer... ou não querer Tanta coisa... tanta... eu quis escrever... reter nas palavras a força dos momentos. Tanta coisa eu quis possuir... murar só para mim. Queria gravar nas pedras tudo o que sinto ou senti. Queria que a minha gana de viver ficasse escrita a fogo em todos vós... em todos por quem eu passei... como eu a sinto aqui: ... dentro do peito... a queimar como me queima. Mas... Quem virá de entre vós refrescar minha mente... tarde de Verão?! Preciso tanto saber...
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