Poesia
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- Ao Sabor da Roda
- Espelho de três reflexos
- Aquém e Além do Meu Casaco
- Insónia
- Verdades Mal Pensadas
- Para Lá da Onda Que Começa
- Só porque...
- Gravidade Zero
- Priv@do n.º 0.04.1999
- A Grande Dúvida
- Dedicatória
- Sonho de Poeta
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- Quando um Mentiroso fala Verdade
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| A Grande Dúvida |
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José Fernando - Poesia A Grande Dúvida " para T 1 acordo sem poder quebrar a teia que me envolve talvez tu que a chuva me tirou um café por favor... é sempre assim o casulo rebenta antes de ver o vómito dos grãos de areia esqueceu-se do açúcar... um dedo acusa-te os outros acariciam-te pensa bem nisso quando a minha mão se aproximar da tua vida um copo de água... Deus deu-te um ponto de interrogação é bom que tenhas respostas quando ele sorrir é bom que tires os cotovelos de cima da mesa não cuspas no chão não mijes fora do penico já agora, a conta... 2 sonhas demasiado para quem não sabe dormir debaixo das lentes dois vazios virados para o interior quiseras ser freira e não soubeste rezar azar, amigo a vida é feita de azares vê se aprendes a olhar para que de hoje em diante não partas mais a perna para que possas voar rasteiro faz o inventário da tua vida numera os minutos que deixaste passar beija o chão vais aprender a voar dá aos braços 3 VERMELHO pára de dizer esses disparates vais aqui vais ali estás aqui estás ali acolá além não estás e pára já com isso AMARELO talvez seja um pouco assim ou muito assim talvez VERDE vais a fundo nessa insistência que só tu tens quando encostas o revólver ao joelho quando comes relva às vezes até dizes coitado vai, vai a fundo... 4 agora que alugaste uma nuvem tens mais razões para sorrir, dizes tu eu não vejo a tua cara entre as pernas enquanto a outra apodrecia metamorfoseaste-te no sono numa morte antes de tempo abre a tampa cubos de gelo muitos cubos de gelo para refrescares as ideias de tampa aberta podes arejar o local onde já existiu um cérebro e esse donut em cima da cabeça? o que faz? e quem é esse gajo de barba roto quase nu? - este gajo diz que não te conhece e não sabe quem és tu... 5 Olhei de repente como se o nada esperasse e o vazio entrou em mim entalado entre os meus ossos desconfortabilizou-me a alma não tem espaço firme a que se segure desertifiquei-me da beira de mim me olho e a mim pergunto COMO SER UMA DIVINDADE? Ser ditador - meu povo, hoje eu sou vosso e vós sois meus - eu vosso chefe, vós meus súbditos ! Os analistas perseguem o caso o réu está calado a justiça não tem palavras é um gato tornado fera e amansado novamente na cabeça do juiz, para além de estrume para fertilizar as ideias e um amor - perfeito vou-me embora não sou de cá não quero ser adeus a Deus 6 dá-me a tua mão para que eu possa ver mais manhãs já não te oiço sem ver o mar e nunca aprendi a amar a minha solidão nunca sem ti quando estávamos sós, gostava mais da solidão da nossa perdi as mãos nos teus cabelos rasguei os meus olhos de encontro aos teus e agora ando de joelhos em busca do teu perfume " Vim à procura de Deus, mas vou-me embora " abri a porta o último minuto antes de cair : Mas... 7 fiz casa da solidão que me deste de beber a mim e ao meu coração vazio em sucessivas náuseas vomitei por fim a Verdade não tenho tempo não tenho tempo mas deixo o tempo no seu lugar tenho já 32 dentes 32 anos 32 vidas não me queiras parar agora que aprendi o teu nome a soletrar liberdade a sentir saudade mergulhei na nuvem vermelha em teus olhos desvio os bichos que se opõem no caminho com um comando Joy Sensation Mega Arcade refresco no vento que me levará ao teu fogo em toros começado 8 contemplo o abutre esse pénis de asas declaro que é de minha livre vontade aparecer desaparecer nesse sol tão teu que pouco me ilumina e já nem vejo as salsichas voadoras nem os cardos aquáticos só vejo as algas marítimas desde que abriste os olhos desde ontem decidiste pintar o mundo roxo e sabes que essa é a cor do deserto 9 Era talvez ontem, não me lembro quando de vermelho vestiste as minhas cinzas respirávamos aço inox como crianças dentro de maçãs e éramos a semente do passado até que a chuva nos falou das feridas e que a água era já sangue trocámos a religião por rebuçados de mentol para morrermos de hálito fresco 10 as passadas da minha existência repetem-se como escadas em caracol ansiando por chegar ao fundo neste quadro escheriano não há prazer mais profundo não há prazer mais para o fundo nem caminho de regresso para de onde venho tens um céu interior muito bonito mas ainda não sei mergulhar nele e a tua indecisão em Ser... não és carne nem peixe hás-de ser sempre a minha sereia 11 sou um pequeno quadrado prateado na fila d'atendimentos tirei o ticket e espero sou um surreal irreal anti - social ilógico analógico insensível invisível STOP olho-me sou o mais pequeno quadrado do mundo não há espaço em mim para mais um quark, sequer guardo as bananas nos bolsos e sou um homem sincero não me vêem grito quando quero falar e silencio-me com a voz não me ouvem receitaram-me uma morte pelo meu dia de anos chamo-me Fred Mercúrio e sou apenas um pequeno quadrado 12 sento-me nos escombros de mais uma manhã azul recheada de questões tão vazia de respostas ainda hoje não sei se existes mesmo assim, chamo-te como se tivesse a certeza nesta minha frieza de olhares e em incalculáveis solidões morosamente recordo de como sabiam salgadas as tuas lágrimas quase cruéis e eu só com as minhas palavras nada tinha nexo dúvidas imensas para mim tão pequeno agarrei-me a um momento junto a uma memória tua ansiava pelo dia em que viesses com o teu sorriso preso nos lábios e que então eu pudesse finalmente deixar a confusão que habita este lugar e por fim sossegar...
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