Priv@do n.º 0.04.1999

José Fernando - Poesia

Priv@do n.º 0.04.1999" all of this is not my fault "
ZERO

letras palavras a solidão mata
por dentro te falo para que me oiças?
para que me vejas
um lugar onde o comércio não sinta sentimento algum
como se eu saldasse a minha intenção
de te ter dado um beijo antes de te ires embora
pois agora o jantar faz-se longe de velas ou incenso
a súbita dor de ver o teu quarto vazio
tenho os ossos finos pequenos
por ti
voltas? por isso vou por aqui ficando
o sono há-de trazer-te de volta a casa
sabendo disso, começo a assobiar-te numa música
azul sempre azul mar sal.


por outro lado
se irá já foi
por aqui nada há
sábado sempre


borbulhas pequenas
começaram a formar-se
por debaixo das unhas não te consigo ver
tenho talvez uns calções que te digam algo
mas não quero estragar assim
um propósito acidental
a cabeça, varri-a com aspegic
peço-te que não me condenes por isso
não me fazia grande falta
e ninguém me aconselhou do contrário...

25 prazeres por dentro da boca
achas que passarei fome nas próximas vidas?
dá-me de beber... por favor...

SINO
O Sino
A Carta Silenciada
A carta Silenciada


Penso queda última vez que, te menti, foi quando disse que me queria despedir de ti. Eras a última pessoa que eu queria deixar, queria até ter-te aqui; hoje e agora mas não podes compreender como eu ando de um lado para o outro. Não dá para entender. Fico cansado dos sítios, tenho de mudar, estar activamente só. Caminhando olhando para a minha sombra, sabendo assim que existo. Entretanto, já os sítios não me dizem nada. É sempre o mesmo; talvez por vezes se vislumbre algum monumento mais feliz, mas em geral, é sempre o mesmo.

Também não sei se percebes, eu nunca te consegui explicar quase nada. E fazia-me falta, antes de tudo, explicar o que eras para mim. Depois, poderia partir, para os pormenores. Mas uma vez, uma só vez, por descuido, imaginei como seria o teu abraço, assim, junto a mim. As nossas caras tocavam-se como quem dá as mãos. E ganhei medo. Acho também que o medo nunca me largou. Sentia-me jogado ao mundo como uma criança num quarto escuro. Não via nada. E quando comecei a ver, assustei-me. Foi então que comecei a correr. Não queria demorar-me.

Aqueles que alguma vez quis, disseram-me adeus antes do tempo, e fui ganhando necessidade de me fingir vivo.

Assim que fui ganhando quilómetros, fui perdendo esperanças. O tabaco e o pão diariamente iam construindo a minha alimentação diária.

E tirava fotografias em todo o lado, para te mandarem cartas. Perdi a máquina fotográfica pelo caminho.

Muitas vezes me deu vontade de regressar. Mas não sabia dos teus braços.

Silencia, quem fomos um para o outro, este tempo que não existiu?
??????
??????
f
f
f