Maquinais - Máquinas Celestiais

Luiz-Manuel - Poesia

Maquinais

MÁQUINAS CELESTIAIS
Espirituais aventuras no céu
    Vesti-me de azul
    E fui para o céu
    Atirei-me à Santa
    Poluí-lhe o véu

    Protestava o anjo
    Arranquei-lhe as asas
    Puxou da pistola
    Mas cortei-lhe as vazas
     

     (Luiz-Manuel)
 
   Correrias


    Lá vão os anjos outra vez deslizando
    pela noite abaixo à procura de luzeiros
    e de pássaros. Mas as estrelas
    afogaram-se todas nos buracos negros
    que a memória suscitou: luz muito fria
    e regressiva no espelho imponderável
    da solidão. Correi anjos correi!
    O Universo já está farto de esperar...
     

     (Luiz-Manuel)
 
             Ressurreição
    

    Passou por mim um anjo desprovido
    De asas de emoções e de ternura
    À chuva como um pássaro vestido
    De solidão de fome e de ruptura

    A noite que habitava seduziu-me
    Amei-o ferozmente - assim morreu
    Assim a noite abriu-se e o céu fugiu-me
    E anjo desprovido hoje só eu
     

     (Luiz-Manuel)