Sonhos de Criança

Cecília dos Santos Oliveira - Prosa

Sonhos de Criança

"Dedico esta obra aos meus pais, irmãs e amigos, que muito me ajudaram e apoiaram. Dedico também e especialmente a todos os que sonham os eternos sonhos de criança."

A mania do berlinde
Paulo era um menino rabino, que gostava de jogar ao berlinde.

Um dia, achou uma bolinha verde, que se parecia mesmo com um berlinde, e que começou a ser o seu berlinde favorito. Jogava como mais nenhum dos berlindes dos meninos da aldeia.

A mãe bem lhe dizia que aquela bolinha não era para jogar ao berlinde, mas Paulo teimava.

Jogava em tudo o que era sítio e, um dia, Paulo lembrou-se de ir jogar para o canteiro da tia Rosinda, que tinha uma árvore muito esquisita plantada no meio. O resto era terra cavada, onde Paulo se divertia imenso. Mas tinha ido tarde e a mãe já o chamava para jantar. Nem teve tempo de arrumar os seus berlindes e deixou-os, mesmo ali, no canteiro.

Choveu dias a fio, sem parar, e Paulo não pôde arrumar os seus berlindes. Quando começou a fazer sol, Paulo correu até ao canteiro. Qual não foi o seu espanto quando reparou que o mais estimado dos seus berlindes desaparecera. No sítio onde ele o tinha deixado estava agora um botão de flor, muito pequenino.
Chamou a mãe, que veio a correr, mostrou-lhe o que tinha acontecido, e então a mãe disse-lhe:

- Eu não te dizia que aquele berlinde não era para brincar?
E foi então que Paulo compreendeu que o seu berlinde era uma semente.

Agora deixou de brincar com os seus berlindes e passou a regar, todos os dias, a sua florzinha, que cresce cada vez mais bonita.

A sereia


Eu sou uma menina que mora no mar. O meu nome é Sereia.

O meu pai é o rei dos oceanos e a minha mãe a rainha Dona Espuma.

Aqui, no fundo do mar, a vida é muito agradável. Passo os dias a brincar com os peixinhos. Tenho um polvo, chamado Timóteo, e um golfinho, que me leva a passear até onde eu quero. Um dia, fui até uma praia, e por detrás das rochas vi, pela primeira vez, os meninos da terra. Como são diferentes de nós!

Não me pude demorar, porque o golfinho não pode nadar em águas baixas e eu não posso ficar muito tempo fora de água.

De quando em vez vou perto da praia e por detrás dos rochedos vejo os meninos a brincar na areia. E volto ao meu castelo para brincar no meu jardim. É muito bonito! Tem algas de todas as cores, peixinhos de todos os feitios e conchinhas cintilantes.

Um dia, o homem, com as suas redes, pescou o exército de peixes do meu pai. Fiquei muito triste!

O meu pai contou-me que o homem se alimenta deles e que os põe em aquários, para os outros homens os verem. Nunca pensei que gostassem tanto de peixes.

Os meus amigos grãos de areia brincam comigo também e gostam muito de se esconder nas ostras e dentro das conchinhas. Eles têm mais sorte do que eu, porque podem ver, dias inteiros, os meninos a brincar na praia. Mas eu não fico triste, porque eles contam-me tudo.

Sempre que puder irei até à praia. E quando eu lá for a chegar irei a cantar a mais linda melodia que tu me inspirares. Se me ouvires, grita para mim, com quanta força tiveres: Olá, sereia!...

As cores


- Bom dia, pequenada! Eu sou uma cor, uma cor que vocês conhecem muito bem. Sou o branco. Aquele branco da neve fria, do algodão fofinho, dos lírios dos campos, das nuvens em dias de sol e do leite...

- Esperem! E eu?... Eu sou o preto, a cor do carvão, aquele que se mistura no branco e faz cinzento.

- O quê? Chamaram-me? Não digam que não, porque eu ouvi o meu nome. Pois, claro, eu sou o cinzento, da cor do céu em dias de chuva, do cimento... Pensando melhor sou aquele que resulta da mistura do branco e do preto.

- Uf! Estava a ver que me tinhas tirado o lugar, amigo cinzento. Eu estava a falar da minha pessoa quando me interrompeste. Pois é! Eu sou o preto do corvo, do fato da viúva, e estou também no escuro da noite. Mas eu vou apresentar-vos o meu amigo verde. É uma cor muito tímida, mas já vão ver como ele fala bem.

- Olá! Eu sou o verde, aquela cor que está nas folhas das árvores, nas ervinhas, nos frutos que não estão maduros. Se olhares pela tua janela, vais ver-me, concerteza, lá na copa das árvores, na erva que cobre os prados ou na folha da tua plantinha. Quando vais à praia, vês-me no mar, a brilhar com a luz do sol, que me faz cintilar.

- O quê? A cor do sol sou eu, o amarelo! Ai que verde tão atrevido! Ainda dizem que é tímido! Eu sou aquela cor brilhante do ouro. Sou a cor da gema do ovo que comeste no outro dia, do malmequer do jardim. E já agora que vos falo, vou apresentar-vos o vermelho, mais conhecido por encarnado.
- Já é a minha vez?... Desculpem estava distraído! Eu sou o vermelho dos telhados, do sangue, da papoila, do marcador com que a tua professora corrige os pontos, dos teus lábios, dos morangos que comeste à sobremesa.' Sou uma cor muito viva e alegre.

Azul, o azul!. É a tua vez!

- Ah! sim, sim, pois é! Eu sou o azul, o azul do céu no Verão, o azul do mar. Sim, porque não é só o verde que é a cor do mar. Eu também. Sou o azul da tua nova pasta de dentes, a cor que a tua esferográfica escreve, a cor dos olhos do teu colega.

Muito mais havia para dizer, mas vou chamar o castanho. Ele vai pôr-vos bem dispostos, tenho a certeza disso.

- Pois é, eu sou o castanho! Da cor... olha, da cor da castanha, a cor das folhas das árvores, no Outono, a cor dos pardais, a cor do teu cabelo...
Desculpa, castanho, mas já passaram os cinco minutos da apresentação. Agora é a minha vez! Eu sou o violeta, como já devem saber, a cor das violetas. Sou uma cor que, normalmente, aparece em flores assim como o cor-de-rosa, não é, amigo?

- É, sim! Eu sou o cor-de-rosa. Quem mais vulgarmente tem a minha cor é a rosa, assim como várias flores. Sou a cor preferida para vestir os bebés, principalmente meninas. Não é, cor-de-laranja?

- É, é! - Eu sou a cor das laranjas. Estou entre as cores dos teus lápis e sou uma cor divertida. Como gosto muito de falar, as minhas amigas cores elegeram-me como porta-voz, para vos dizer, em nome de todas nós, um segredo.

Então, cá vai:

Vocês sabiam que sem nós tudo era monótono.

Sem nós, não haveria ternura, ódio, até amor.


Somos a alegria da vida. Não pensas assim?

É que nós sabemos que às vezes te esqueces que nós estamos na tua roupa preferida, na tua escova, nos teus cadernos, nos teus lápis, estamos em tudo, até nos teus lençóis.

Já pensaste falar connosco? Deves estar a pensar que é impossível, mas se falares connosco temos muito para te dizer, acredita. Aceita a sugestão. Garantimos-te que não te vais arrepender.

É bom ser criança


- Vovozinha, conta-me uma história!

- Qual? A da Branca de Neve e dos Sete Anões ou a do Capuchinho Vermelho?

- Não, não, vovozinha! Quero que me contes uma história tua, que aconteceu no teu tempo.

- Está bem, Sandrinha! Eu vou contar-te uma que se passou quando eu tinha a tua idade.

Antigamente não havia, por aqui, prédios altos, nem carros, nem mesmo estradas de alcatrão. Havia pinhais e carreirinhos que nos levavam aos mais variados sítios. As nossas brincadeiras de crianças, eram muito divertidas.

Umas vezes jogávamos às escondidas, outras vezes ao agarra e outras vezes ainda à macaca, jogos que quase sempre tinham regras feitas por nós. Costumávamos dar passeios muito grandes pelos pinhais e não tínhamos medo de nada porque já estávamos habituados a passear assim e porque naquela altura eram todos muito amigos e não faziam mal a ninguém.
Então houve um dia em que eu me separei dos meus amigos e fui dar um dos passeios de que te falei. Ia sozinha e calada, quando, de repente, ouvi piar, muito baixinho. Segui o som e fui dar com um ninho de passarinhos, em cima de uma moita que, por acaso, estava à minha altura. Espreitei e vi três passarinhos, muito pequeninos, que piavam com toda a sua força.

Fiquei um bocadinho a observá-los e voltei para junto dos meus amigos, não fossem eles desconfiar. Todos os dias, ao fim da tarde, ia vê-los, tão pequeninos e barulhentos.

Nunca contei a ninguém. Durante muitos anos, pela mesma altura, encontrava, naquele sítio, um ninho com passarinhos, muito pequeninos, que eu via crescer. Mas houve um dia em que, para construir uma escola, as árvores e os arbustos tiveram de ser cortados e eu nunca mais vi os meus passarinhos nem soube qual foi o seu destino. E todas as vezes que via um passarinho a voar no céu lembrava-me dos passarinhos pequeninos e barulhentos.
- Então, gostaste da minha história?

Adorei, vovozinha!

- Sabes, tu foste a primeira pessoa a quem eu contei esta história.
- Vovozinha e corno é que conseguiste guardar esta história tantos

anos?

- Pois é, Sandrinha, nós temos aqui, na nossa cabeça, lá dentro, uma caixinha, que se chama memória, onde nós guardamos os nossos segredos e onde pomos os acontecimentos que nos marearam.

- Ah! Eu não sabia disso, vovozinha. Então tu tens a tua caixinha cheia de recordações, não é?

- Pois é, Sandrinha, e tu, daqui a muitos anos, quando fores velhinha como eu, vais precisar de histórias como esta. Então abres a tua caixinha e tiras as que mais gostares.

- E sabes o que eu vou fazer, vovozinha?

Vou abrir a minha memória e pôr lá esta história, bem guardadinha, para, quando for avó também, poder contá-la aos meus netinhos.
Vovozinha, mas eu também queria ver passarinhos, pequeninos, num ninho.

- Está bem! Qualquer dia o avô leva-te a passear, longe daqui, e mostra-te. Mas agora dorme, que já são horas.

Boa noite....

Joaninha , médica de bonecas


Joaninha era uma menina de 8 anos, que gostava muito de brincar aos médicos.

Um dia ouviu a história de uma boneca, que tinha um arranhão na cara e que ninguém queria comprar. Por isso, o dono da loja, aborrecido de a ver ali há tanto tempo, pô-la no contentar do lixo. Em seguida, o homem do lixo retirou-a, arranjou o arranhão e ofereceu-a a uns meninos que andavam pelos contentares do lixo à procura de pano para fazer uma boneca. Estes recusaram-na, dizendo que não gostavam de bonecas de plástico.

Foi então que a Joaninha procurou o homem do lixo e lhe pediu encarecidamente a boneca. O homem logo a foi buscar a um sítio, pendurada na sua camioneta, e lha ofereceu, contente por ver que alguém tanto queria aproveitar o seu trabalho. Joaninha levou a boneca para casa. Entrou no seu quarto, que é um autêntico consultório, com seringas de plástico, compressas, adesivos e medicamentos (de brincar, claro!) e ali, com um pedaço de algodão embebido em álcool, limpou a sua boneca, e no local do arranhão fez um penso com gaze e segurou com adesivo. Depois sentou-a num banquinho, baptizou-a de Milu e nomeou-a sua assistente no seu consultório.

Até aqui limitava-se a fazer o que gostava. Era curar as bonecas das suas amigas da escola. Até inventou uns cartõezinhos com o seu nome, que diziam:

Joaninha, doutora de bonecas, põe-as como novas num instante.

E entregava-os às suas amigas, que depois lhe davam as suas bonecas doentes (com braços e pernas partidas, arranhões na cara e cabelos despenteados).

Depois de chegar da escola, fechava-se no seu quarto e falava com as bonecas:

Então, diz-me lá o que tens. Dói-te a barriga?

Vamos lá ver. Já vais ficar boa.

Quando as suas amigas viam as suas bonecas completamente curadas, faziam-lhe tantos elogios que Joaninha corava. Tinha mesmo jeito!

À medida que ia crescendo, Joaninha aperfeiçoava-se mais e os utensílios de trabalho iam sendo cada vez mais sofisticados.

Os seus professores de ciências achavam-na muito engraçada quando ela dizia que curava bonecas:

- Senhor professor, se tiver alguma boneca doente, não espere mais, leve-a ao meu consultório, que eu ponho-a boa num instante. Tem aqui o meu cartão. Não se esqueça!

Os anos passavam e Joaninha deixava de arranjar bonecas para dar lugar aos estudos de medicina que a iam tornar uma excelente médica. Passou sempre nos exames e nunca tirou uma nota negativa. Era sem dúvida, a melhor aluna da Faculdade.

Quando acabou os estudos definitivamente, montou um consultório, agora verdadeiro, para curar as pessoas doentes que por ali apareciam.

Não era tão fácil como curar bonecas, mas a Doutora Joana fazia os curativos e pensava nas receitas com tanto carinho que nem notava a diferença de bonecas para pessoas.

Agora Joana tem a vida com que sempre sonhou. Todos os seus doentes gostam muito dela. Sente-se mesmo feliz.

Agora Joana tem a vida com que sempre sonhou. Todos os seus doentes gostam muito dela. Sente-se mesmo feliz.

A seu lado, no seu consultório, ainda tem a boneca Milu, como sua assistente, que parece sorrir, ao vê-la tão feliz. A Doutora Joana, de vez em quando, apenas lhe renova o penso na cara.

O bosque encantado


Há muitos, muitos anos, havia na superfície terrestre um bosque a que chamavam o bosque encantado. Diziam que quem lá fosse era transformado num sapo e, como ninguém se queria ver transformado num sapo, afastavam-se o mais possível do dito bosque.

Um dia, um menino, chamado Luizinho, mesmo sabendo que poderia ser transformado num sapo, foi ao bosque.

Ao pôr o pé onde a beleza era infinita, reparou que ainda tinha o seu corpo de rapaz no lugar e ficou tão contente que começou a assobiar, enquanto ia observando o bosque encantado.

Naquele bosque, a água era cor de prata, os peixes eram dourados, os raios de sol pareciam cristais vindos do céu e as flores eram de cores nunca vistas.
Luizinho começava a ficar com medo mas, como a beleza era tanta, deixou-se passear por aquele bosque, que tinha árvores amarelas e azuis, frutos irisados e reluzentes.

- Serei eu tão corajoso? Porque será que nunca ninguém aqui veio? - perguntava para os seus botões.

- Bom dia!

O que será isto? Já devo estar a ouvir vozes! Pareceu-me ouvir alguém dizer.. Bom dia!

Luizinho olhava para todos os lados mas não via ninguém.
- Aqui rapazinho! Aqui, em baixo, não me vês? - O quê? Aqui as flores falam? - perguntou, intrigado, Luizinho.


- Sim, falamos! Mas de que terra é que vens que nem sabes dizer bom dia?!
- Sei, sim, florzinha, desculpa! Bom dia!... É que fiquei tão espantado que me faltou a voz por momentos. Sabes, na minha aldeia as flores não falam e eu nunca tinha visto uma tão bonita como tu!

- Ali, sim!? Obrigada! És muito gentil!

- Florzinha, nunca tinhas visto, antes, um ser humano?

- Já, rapazinho! Eu já vi uma vez um humano! - E onde é que ele está?
- Não sei, mas posso dizer-te o que lhe aconteceu:
Uma vez, um homem passou por este bosque. Não me disse bom dia nem reparou que estava num bosque encantado. Então colheu uma florzinha, que por sinal era minha prima, e arrancou-lhe todas as pétalas, atirando-a depois para o chão. A brisa feiticeira, ao ver o sucedido, transformou-o num sapo e ele ficou a ser o melhor amigo das flores.

- Ah! por isso é que... Pois é!... O meu pai e a minha mãe contaram-me que quem viesse a este bosque se transformaria em sapo.

- Não é bem assim, mas se assim o entendes...
- A brisa feiticeira vê tudo o que sé passa e concerteza te vai dar um presente por teres sido simpático comigo.

- Bem, já se está a fazer tarde! Tenho de ir! Adeus, florzinha!
Luizinho caminhou pelo bosque encantado e quando pôs o pé em terra vulgar reparou que estava maior e que o resto do seu corpo crescera também. Então ouviu a voz da brisa feiticeira que dizia:

Como foste afável com uma florzinha, serás o mais belo rapaz e casarás

com a rapariga a quem tu contares o teu segredo.

- Luizinho foi para casa feliz e enquanto caminhava ia pensando:

- Eu fui afável com uma flor e vou ser sempre!

Ternura de Mãe


Finalmente chegou a Primavera, depois de quatro meses de hibernação.
A mãe ursa acorda agora depois da longa soneca que dormiu. Dentro da toca, também o seu filho, um ursinho com poucos meses, acorda novamente, incomodado pelo ruído que a mãe fazia ao levantar-se.
-Vamos, filho! - disse a mãe ursa - vamos passear. Chegou a Primavera. Vou-te mostrar as flores, o regato e a clareira do bosque. Vou ensinar-te como se foge ao leão e como se devem escolher as folhas mais tenrinhas para a sopa.
- Vamos, mamã! - disse o pequeno ursinho. Quero ver a luz do dia, quero ver tudo aquilo de que me tens falado. Sabes, já começava a ficar farto de estar aqui fechado, sabendo que lá fora há um mundo novo para descobrir. Vamos, mamã!
A mãe abriu cuidadosamente a porta da toca e esfregou os olhos, pois a luz era muito intensa. O ursinho imitou-a.
- Mamã, vamos ali! Quero primeiro ver aquele sitio! A mãe ursa limitou-se a conduzir o filho que, muito entusiasmado, entrou no bosque e se pôs a pular de contente.
Enquanto a mãe ursa cheirava as flores, o ursinho afastou-se um pouco dela e reparou que à sua frente se erguia uma faixa de luz. Ficou quieto. Não chamou a mãe, mas pensou:
- Será o leão de que a mãe me falou? Não lhe vou tocar, mas é lindo!
A faixa de luz passava através das árvores. Não se mexia. Era transparente, mas tão bonita!
- Não, não pode ser o leão - pensava - a mamã disse que era mau e feio.
O ursinho era muito pequenino e, por isso, muito curioso. Esticou a mão para tentar apanhar a luz mas, ao olhar para ela, viu que não tinha nada. Aquela luz não se podia agarrar. E, muito admirado, correu a chamar a mãe.
- Mamã, mamã, vem cá, depressa!
Descobri uma coisa muito bonita! Vem dizer-me o que é! Vem, mãezinha!
E pela mão do ursinho a mãe lá foi.
Vês, mãezinha! Está ali! É bonito! Sabes o que é?
E, esticando mais uma vez a mão, o ursinho tentou agarrar a faixa de luz. A mãe, fazendo-lhe uma festa na cabeça, olhou-o nos olhos e disse:
- Filho, nunca conseguirás agarrar essa faixa de luz. Só a poderás ver. Contemplá-la com o olhar é tudo quanto podes fazer.
- Que pena, mamã! Mas como se chama?
E a mãe, olhando-o mais uma vez nos olhos, sorriu e disse:
- É um raio de sol!...