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Teófilo Tito Ferreira dos Santos - Prosa Soltos A importância do adestramento do cão De uma forma simplista podemos dizer que adestrar um cão não será mais que ensinar-lhe a fazer certas coisas e a tomar certas atitudes. Como seres inteligentes, os cães aceitam fazer ou não fazer, quando obrigados, mas é muitas vezes, contrariando as suas qualidades inatas ou as suas características. Não há, por enquanto, nenhum método geral a seguir para o adestramento, porque isso acarreta diversas implicações e condicionalismos. Nós defendemos que a educação tem dois vectores principais: um é a inteligência de quem obviamente a ministra e o outro é a inteligência de quem a recebe. Os nossos pareceres assentam neste dois factores e temos fortes reservas nos ensaios que existem sobre a arte de treinar e de se servir de um cão, por não privilegiarem a inteligência. Ao falarmos de inteligência daquele que ministra a educação ou daquele que está encarregado de a manter para seu uso, não queremos dizer que para adestrar um cão ou para o utilizar, seja necessário ser-se dotado de uma faculdade excepcional. Cada indivíduo tem a sua forma de inteligência pessoal, em princípio não é igual para todos, bem como os meios de aplicação. Para alguns, tal princípio será considerado essencial ou indispensável, enquanto para outros será julgado inútil ou acessório. Alguns terão a faculdade de se fazer entender por uns cães, como por uma criança bem dotada; outros serão incapazes de transmitir seja o que for senão à pancada, o que um condenável meio de educação. Os adestradores ensinam os cães de acordo com os seus próprios princípios e não podem substituir as concepções de inteligência dos seus clientes. Todos os processos técnicos de adestramento baseiam-se em três regras fundamentais: a rotina, o castigo, a recompensa ou, mais precisamente, a rotina imposta por meio de recompensa e castigos - comportamento condicionado. A fim de conseguir resultados satisfatórios, o adestrador tem que ter em conta a idade e as faculdades e características do animal para dosear as tarefas do treino. A educação de um cão é fruto da inteligência do educador. Se se ministrarem os mesmos processos de ensino a todos os cães corre-se o risco de criar cães revoltados, que não servirão para nada. Pelo exposto, resumidamente, cremos ter mostrado que não aceitamos um método único para todas as raças de cães, visto que cada raça tem as suas características próprias e cada indivíduo a sua maneira de ser. Para se estudar ou observar uma raça é fundamental conhecer a sua história o cão é um animal dotado de inteligência consciente que, como a criança, até chegar a adulto, conforme a idade, o carácter e o desenvolvimento das suas capacidades cerebrais que, ao longo da sua vivência, nos dá prazeres e tristezas. E indiscutível que o cão tem pelo homem, grande dedicação, a qual será tanto mais profunda, quanto maior for a nossa por ele. Quando ele desobedece ao dono e se esse dono lhe souber demonstrar o seu desagrado, o cão sente tanto desgosto como o proprietário, o que é visível na cauda e no olhar. Sapatos "(...) O verão finda, chove! A natureza cumpre a sua palavra de honra (...)" Tal como um F1, o corpo humano também se recente e sofre com as alterações climatéricas. Se para um F1 o mais importante são as suas performances, já para o corpo humano há um outro factor a ter em conta, o conforto. Antes de um Grande Prémio, ou qualquer outra prova de desporto automóvel, a escolha dos pneus assume grande importância, pois o ir à box é tempo que se perde e não conta voltas, no dia-a-dia uma pessoa não pode mudar de sapatos várias vezes ao dia. Assim, a sua qualidade e resistência tem que sobressair. Mas, tal como num F1 não recomendaria uns pneus all-weather nem uns TT. Há uns anos atrás era possível ver na publicidade a uma marca de pneus a seguinte frase: "... as marcas dos que vão à frente indicam sempre os novos caminhos a seguir...", os pneus, tal como os sapatos, são o elemento de contacto com o solo devem, possuir características que não comprometam o desempenho nem ponham em risco a segurança (como diz uma conhecida marca de automóveis "... a 5 Km/h qualquer movimento brusco pode ter consequências imprevisíveis..." Epicur - O Prazer da Escrita l "O homem aprendeu a escrever os defeitos no bronze e as virtudes na água" Beethoven No maravilhoso “mundo das comunicações” existe um “país” chamado escrita. A escrita é, numa primeira fase algo de pessoal que não partilhamos com ninguém, uma espécie de ritual de nós para nós próprios. Com o tempo vamos percebendo que o entusiasmo e a paixão são essenciais para se vencer os “medos” e que a escrita é a suprema expressão da responsabilidade, algo de universal que nos possibilita comunicar e expressar ideais e emoções, que nos permite comunicar e ser entendidos. Só escrevendo com o próprio punho se pode transmitir o apreço e os sentimentos por alguém. Refúgio de muitas situações ou simplesmente um sacerdócio, a escrita pode também ser entendida como prazer de desenhar letras com a ponta de um aparo, seja ele EF ou L de ouro ou de rodium, dando-nos, assim, a emoção de podermos transmitir os nossos sentimentos de uma forma única. A escolha de uma caneta é essencial para o prazer de escrever. O toque do seu corpo, a forma como a tinta flui através do aparo vão condicionar o nosso “conforto” e a nossa inspiração. Dizem os especialistas que, tal como tudo o que nos dá prazer, não devemos partilhar as Nossas Canetas com ninguém. Foram escolhidas de uma forma pessoal para reflectirem o que nos vai na alma, devendo ser tratadas com os cuidados inerentes a algo que nos é querido. Porque gosto de escrever, normalmente ando munido com duas esferográficas de cor diferente e uma lapiseira. O suporte para escrita é fácil de encontrar, quanto mais não seja um guardanapo de papel de qualquer café. Mais tarde, com outra atenção, releio as minhas notas e poderei dar-lhes outra forma ao conteúdo, mas, sobretudo, cuidar da escrita com acessórios condignos. Escrever também significa a minha vida ... Epicur - O Prazer da Escrita ll “Dificílimo acto é o de escrever, responsabilidades das maiores ...” José Saramago Escrever bem não é uma questão de habilitações literárias, antes uma questão de vivências. Se durante a infância não formos cultivando o prazer das letras, mais tarde será difícil desfrutar do prazer que é escrever. Por definição, a escrita nunca deixa de ser uma representação gráfica da linguagem falada, feita por meio de sinais gráficos convencionados. Primeiro projectamos a imagem no nosso cérebro, depois, com a nossa capacidade, passamos essa imagem para palavras. Ao serem lidas, por outros podem ser-lhe dadas diferentes imagens. Um dos fascínios da escrita é fazer que cada pessoa tenha uma visão própria. Escrever é uma sensação indescritível. Pegar num pedaço de papel, numa caneta e alhearmo-nos de tudo, mergulhando no universo de palavras e ideias que vamos ordenando indelevelmente. Só escrevendo todos os dias, como um exercício, é que se poderá atingir uma fluência de escrita e de expressão. Algumas paixões não desvanecem com o tempo, ao contrário, apuram-se. A escrita deve ser sempre um prazer e nunca uma imposição ou ritual, ou não seja ela a Arte de moldar as palavras, constituindo por vezes, um ofício solitário mas inquestionavelmente nobre. Sem dúvida que a esferográfica veio possibilitar escrever em qualquer local, o que nos dias de hoje não se verifica pois cada vez menos as pessoas escrevem para além do seu métier quotidiano, e quando o fazem é utilizando a informática. Ora, para mim este tipo de suporte, permite, acima de tudo o prazer da leitura devido à facilidade de apresentações cuidadas. Tal como em tudo na vida, só é possível uma pessoa gostar de escrever e retirar todo o prazer desse acto, se gostar da sua própria letra ... “Escrevo para ser.”
Miguel Torga
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