ESTIMATIVA
Analistas prevêem o melhor ano desde 1997 para a bolsa nacional
Avaliações dos analistas apontam para subida de 45% do PSI-20. Nas primeiras três sessões, o índice soma já mais de 5%
Paulo Moutinho
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Raquel Godinho
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Depois do pior ano de sempre, o PSI- 20 está, neste início de ano, a registar o melhor arranque desde 1999. Ainda só passaram três sessões, mas a valorização já é elevada, em linha com o movimento altista das restantes praças da Europa. A perspectiva é de que 2009 seja um ano de ganhos.
E poderá mesmo ser o melhor desde 1997. Pelo menos a julgar pelas avaliações dos analistas para as cotadas, que apontam para um potencial de subida de quase 45% para o índice nacional.
O PSI-20, que terminou 2008 nos 6.341,34 pontos, deverá, caso se concretizem as previsões, superar a fasquia dos 9.000 pontos no final deste ano. Para obter esta estimativa, o Negócios recolheu a média das avaliações atribuídas às 20 cotadas do índice, sendo estas, na generalidade, para o final de 2009, ou a doze meses.
Confrontou esses preços-alvo com a cotação de fecho de 2008 e ponderou o potencial pelo peso respectivo no PSI-20.
O resultado é um potencial de subida de 44,76%, face à última sessão do último ano. Desde então, o índice já ganhou mais de 5%. Se se confirmar esta estimativa, o PSI-20 conseguirá apresentar o melhor desempenho desde 1997, ano em que disparou 71 %.
No entanto, o ganho será insuficiente para apagar o "annus horribilis" agora terminado. Mesmo com este ganho, o índice ficará quase 30% aquém do nível observado no início de 2008.
A subida vertiginosa que projecta para o PSI-20 contrasta com um muito menor optimismo para o desempenho das acções europeias. O Dow Jones STOXX 600, o "benchmark" para a Europa, registará, segundo o Merrill Lynch, uma bastante tímida valorização de 13%, face ao que caiu em 2008, enquanto o americano Standard & Poor's 500 deverá apresentar um ganho de 17%, superando os 1.000 pontos no fecho de 2009.
A estimativa de subida do PSI-20 apresentada só se confirmará caso as acções das empresas cotadas consigam atingir a média das avaliações atribuídas pelos bancos de investimento, tarefa que se adivinha complicada, dado o exemplo do último ano em que a forte turbulência nos mercados aumentou o diferencial entre os preços-alvo dos analistas e o valor das acções em bolsa.
É certo que muitos especialistas acreditam que 2009 será um ano positivo, não só com base na recuperação da economia, mas também apoiado nas avaliações atractivas das cotadas. "É razoável admitir que este processo de contracção de múltiplos [das cotadas] desconta um ambiente prolongado de crescimentos modestos e que terá tendência a estabilizar à medida que a visibilidade sobre a economia aumente", refere António Seladas, responsável pelo departamento de "research" do Millennium IB.
Ainda assim, será difícil que cotadas como a Teixeira Duarte, Mota- Engil, Sonae SGPS, Sonae Indústria e Sonaecom consigam mais do que duplicar de valor nos próximos 12 meses, pese embora os desempenhos fulgurantes obtidos nestas, apenas, três primeiras sessões de 2009.
A "holding" liderada por Paulo Azevedo conta já com um ganho de mais de 12%, enquanto a Sonae Indústria lidera as subidas no PSI-20 com uma valorização de 13,7%.
Fonte Jornal Negócios : Paulo Moutinho Publicador Clipping Data 7 Jan 2009
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