COM UMA CARTEIRA DE ENCOMENDAS de 1.400 milhões de euros, o grupo português prevê um aumento de 30% das vendas para 800 milhões de euros, em 2009.
Ana Maria Gonçalves
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A Efacec fechou o seu maior contrato de sempre na área da energia. O destino da encomenda de 90 milhões de euros é a Venezuela, um mercado que ganhou uma nova dinâmica na sequência do acordo comercial fechado recentemente entre José Sócrates e Hugo Chávez).
A Cadafe, a distribuidora eléctrica venezuelana, contratou o fornecimento, entre 2009-2010, de 46 transformadores de potência e 24 subestações móveis. Equipamentos e serviços de engenharia que obrigarão à instalação de infraestruturas locais e consequente deslocalização de mão-de-obra nacional, afirmou ao Diário Económico, Luís Filipe Pereira, presidente da Efacec.
Na base deste contrato está o memorando de entendimento subscrito entre a Corpoelec (Corporación Eléctrica Nacional da Venezuela) e a Efacec, assinado em Outubro de 2008, que se encontra ao abrigo do Acordo Marco Complementar Económico e Energético entre a Venezuela e Portugal, de 13 de Maio de 2008.
Uma plataforma de trabalho que começa a dar vários frutos, salientou ao Diário Económico o ministro da Economia, Manuel Pinho, outro dos protagonistas neste processo negocial. Esta não é, no entanto, a primeira incursão da Efacec no país de Hugo Chávez. Já em 2008, o grupo português tinha assegurado a venda de aparelhagem de média e alta tensão destinada à Edelca, outra eléctrica venezuelana, também pertencente à Corpoelec.
Mas ao contrário do que sucederá agora, a encomenda não era proveniente de Portugal, mas sim das suas unidades industriais localizadas na Argentina. Presente em mais de 60 países e com produção própria também nos EUA, Índia, Malásia, Moçambique, Brasil e Angola, a Efacec mostra-se optimista face a 2009, apesar do actual contexto económico e financeiro nacional e internacional.
O grupo prevê para o corrente exercício um crescimento de 30% das vendas, para 800 milhões de euros, dos quais mais de 70% serão provenientes do exterior. Em 2008, a Efacec terá facturado cerca de 600 milhões de euros, tendo a América Latina ultrapassado o mercado português.
A sustentar este cenário está, segundo Luís Filipe Pereira, a existência de uma carteira de encomendas firme de 1400 milhões de euros. Mas não só. A estratégia delineada por vários governos, de combate à crise através de investimentos públicos em infraestruturas, permite sustentar esta perspectiva de evolução das receitas.
Outro factor decisivo, de acordo com o gestor, é a forte exposição da empresa aos mercados emergentes.
Portugal paga petróleo venezuelano com exportações
Portugal reforçou a sua exposição ao petróleo venezuelano. Um processo que resulta do acordo firmado em 2008 entre os dois países e que prevê o pagamento de 10 mil barris de crude com exportações de produtos nacionais. O valor do negócio será parcialmente pago pela Galp à companhia estatal venezuelana PDVSA, numa conta na Caixa Geral de Depósitos.
É a partir daqui que serão feitos os pagamentos às empresas nacionais que exportarem para a Venezuela. Entre os negócios firmados com Caracas está a venda de um milhão de computadores Magalhães pela empresa JP Sá Couto e a construção de fogos de habitação social, da responsabilidade do grupo Lena. Na área da energia foram igualmente firmados memorandos de entendimento entre a Corporación Eléctrica Nacional da Venezuela e a EDP, Efacec, Janz, Instituto de Soldadura e Qualidade, Cabelte e a Electricidade Industrial Portuguesa. A.M.G.
Fonte Diário Económico : Ana Maria Gonçalves Publicador Clipping Data 8 Jan 2009
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