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As taxas de juro estão historicamente baixas, com a Euribor a três meses (2,053%) e seis meses (2,143%) a níveis de 2004. Caem há 81 sessões consecutivas e só não prometem continuar a cair muito mais nos próximos dias porque a taxa directora do Banco Central Europeu se encontra nos 2% e não deverá sofrer alteração na reunião de hoje do conselho de governadores.
"A reunião importante será a de Março", disse Jean- Claude Trichet, presidente do BCE, a 15 de Janeiro, quando foi decidida a actual taxa de cedência de liquidez. Uma atitude diferente é a esperada por parte de outro banco central, o de Inglaterra,, em relação ao qual os analistas admitem que desça a taxa base de 1,5% para 1%. Essa é também a meta estabelecida por diversos economistas para o BCE, mas na reunião que realizará a 5 de Março.
A descida das taxas de juro beneficia aqueles que têm empréstimos contratados e cujos 'spreads' estão fixados por contrato em valores baixos, sejam empresas ou particulares. O caso muda de figura para quem agora está a contrair empréstimos, uma vez que à taxa de juro baixa se tem de adicionar o 'spread', agora influenciado pelo custo do dinheiro, sobretudo se for obtido com garantia do Estado, uma vez que o banco paga um prémio relativo ao risco país e ao custo da garantia.
Além disso, para quem pede empréstimos, há ainda que contar com algumas dificuldades, como sejam pedidos de garantias mais rigorosos por parte dos bancos e recusas de empréstimos, sobretudo nos casos em que a solidez financeira possa ser posta em causa.
Em relação ao futuro, os diferentes bancos centrais deverão continuar a descer as taxas directoras, sobretudo porque a inflação continua a descer em todo o lado e as economias também.
Quem sofre com isso são aqueles que poupam e cada vez obtêm pior remuneração para os seus depósitos. Ainda assim, a crise deverá marcar uma inversão no comportamento de um grande número de pessoas que, de acordo com um painel de economistas consultado pelo Diário Económico, em ano de recessão, com falta de confiança, deverão passar a poupar mais, a exemplo do que está já a acontecer na zona euro, onde a taxa de poupança está a aumentar desde meados do ano passado.
Considerado um povo poupado num passado não muito longínquo, os portugueses passaram a gastar muito mais desde a adesão à União Europeia e, sobretudo, depois da entrada no euro. Segundo os últimos dados conhecidos, a taxa de poupança em Portugal é metade da zona euro e está quatro pontos percentuais abaixo da UE a 27.
Só que nos últimos anos, além de não pouparem, os portugueses ainda se endividaram, com as consequências que hoje são conhecidas. Taxas de juro e inflação baixas aumentam o rendimento disponível e proporcionam uma nova hipótese de alteração de comportamento que poderá vir a dar bons frutos no futuro.
Fonte Diário Económico Publicador Clipping Data 5 Fev 2009
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