A CONTRATAÇÃO COLECTIVA AINDA NÃO ESTÁ FECHADA EM MUITOS SECTORES, MAS OS ACORDOS ASSINADOS PREVÊEM AUMENTOS SALARIAIS MÉDIOS DE QUASE O DOBRO DA INFLAÇÃO.
Os dados preliminares recolhidos pelo Diário Económico junto de dezenas de estruturas sindicais revelam que o aumento médio ponderado de 323 mil trabalhadores portugueses será, na pior das hipóteses, de 1,9%, muito acima do 1% de inflação prevista pelo Banco de Portugal. Os aumentos finais, ainda em negociação, deverão ser superiores.
Negociações salariais apontam para ganhos de poder de compra em 2009 A CONTRATAÇÃO COLECTIVA EM TORNO DOS AUMENTOS SALARIAIS ainda não está fechada na maioria dos sectores, mas os acordos já firmados e em negociação prevêem uma actualização média de 1,9%.
Cristina Oliveira Silva e Manuel Esteves
O patronato já avisou que em tempo de crise, o melhor é não contar com grandes aumentos salariais. Mas já há acordos colectivos fechados - e a maioria aponta para aumentos acima da inflação.
De acordo com os dados recolhidos pelo Diário Económico junto de duas dezenas de estruturas sindicais, o aumento médio ponderado de cerca de 323 mil trabalhadores (abrangidos por 24 contratos colectivos) rondará, na pior das hipóteses os 1,9%, ou seja, 0,9 pontos percentuais acima da inflação estimada pelo Banco de Portugal (1%). No entanto, o aumento será seguramente superior já que para os sectores, aqui considerados, onde a negociação ainda decorre (banca, seguros e grande distribuição, por exemplo) foram tidos em conta os aumentos propostos pelos patrões, devendo o valor final ser mais elevado.
As actualizações mais baixas, propostas pelas entidades patronais, rondam os 0,9%. Este é precisamente o valor avançado pela Associação Portuguesa de Bancos (APB) ao Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas (filiada na UGT) e que representa mais de 50 mil pessoas.
Caso se concretize é, para já, o único aumento previsto abaixo da inflação esperada pelo Banco de Portugal e pela Comissão Europeia (1%).
Dos acordos já efectivamente fechados, celebrados por sindicatos da CGTP, os aumentos médios mais altos atinjem os 4,1% e nenhum deles fica abaixo da inflação esperada. O que indica alguma recuperação do poder de compra, mesmo em tempo de crise.
Ministro quer aumentos
"A nossa vontade é que esta crise não seja acompanhada por uma degradação do poder de compra", disse o ministro do Trabalho aos jornalistas durante a 8ª Reunião Regional Europeia da Organização Internacional do Trabalho (OIT), salientando que os aumentos do Estado, de 2,9%, acima da inflação, foram um contributo para "um maior dinamismo da procura privada". E recordou ainda o acordo na fixação da evolução do salário mínimo nacional, que, em 2011, deve atingir 500 euros umaumento de 5,6%.
Ainda assim, o ministro defende o encontro do "justo equilíbrio" entre evolução salarial, nível de preços e dificuldades específicas de cada sector. Não existe uma solução aplicável a todos os sectores "de forma idêntica", referiu Vieira da Silva, recordando as "posições diversas" conseguidas através da contratação colectiva que, no ano passado, atingiu o maior número de trabalhadores até agora: cerca de 1,9 milhões.
A questão dos aumentos salariais está no centro das reivindicações dos sindicatos de todos os países. Ainda ontem, a secretária-geral da FGTB (Federação Geral dos Trabalhadores da Bélgica), Anne Demelenne, mostrou-se contra a utilização do argumento da crise para que os salários sejam reduzidos ou não cresçam. Vieira da Silva admite que o argumento possa surgir, mas é uma situação a que o diálogo social terá de responder.
Fonte Diário Económico : Cristina Oliveira Silva Publicador Clipping Data 12 Fev 2009
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