GANHOS DO BCP CAÍRAM 65%. RESULTADOS DA REN E BRISA PIORARAM MAIS DE 20%.
Alexandra de Almeida Ferreira
Se dúvidas ainda houvesse, os resultados que as empresas começaram a divulgar vieram desfazêlas: o terceiro trimestre de 2008 vai ficar para a história como o período em que a crise financeira chegou, definitivamente, à economia real. A semana arrancou com os resultados dos primeiros nove meses do ano do BCP, Brisa e REN, três baixas no PSI20 que revelaram quebras expressivas nos lucros - já depois de, na sexta-feira, o BPI ter inaugurado a 'earnings season' com uma queda de 86,2%.
E as semanas que aí vêm não deverão trazer notícias diferentes para as empresas que ainda não apresentaram as suas contas.
Com um terceiro trimestre marcado pelo agravamento significativo da crise financeira e uma recessão económica iminente na Europa e nos Estados Unidos, a pergunta que se impõe é se a situação das empresas vai piorar antes de melhorar? Economistas e analistas financeiros são unânimes: a resposta é sim. O próximo ano é de estagnação para a maioria das economias desenvolvidas, com cenários macroeconómicos a tornarem praticamente impossível às empresas pensar em investir. Em vez de crescimento, o desafio vai ser minimizar perdas.
António Seladas, responsável do departamento de "research" do Millennium BCP, prevê um primeiro trimestre de 2009 muito difícil. "Teremos para o ano as receitas pressionados em baixa, com variações negativas em diversos casos, subutilização de capacidade instalada, o que resultará em margens deprimidas particularmente em sectores com custos fixos importantes", ao mesmo tempo que a crise de liquidez vai obrigar as empresas a retraírem o investimento. No entanto, a contrabalançar estes indicadores, com os recentes cortes na taxa de juro nos Estados Unidos e Europa, e a confirmarem-se novas reduções por parte do Banco Central Europeu e da Reserva Federal norte-americana (que tudo indica que decidirá nesse sentido na reunião marcada para esta manhã), os custos financeiros não deverão registar variações tão fortes quanto em 2008.
Por outro lado, acrescenta António Seladas, "o stock de dívida não deverá sofrer grandes alterações porque o investimento deve retrair-se extraordinariamente".
Ainda não será 2009 a trazer boas notícias para as empresas nacionais. Os sectores mais pressionados são os mais cíclicos, como a banca, "mas serão com certeza os mais interessantes no fim desta fase ou inicio da seguinte", defende António Seladas.
Baixar expectativas para surpreender em 2009 A estratégia na Europa tem sido a de preparar o mercado para o pior. Os avisos por parte das empresas de que os resultados vão ser piores que os anunciados nos planos estratégicos têm-se sucedido. Mas, explicam os analistas contactados pela Bloomberg, há aqui uma dupla intenção: assumir que a crise financeira vai ter um impacto real e significativo nos lucros mas, sobretudo, fazer com que o mercado penalize "de uma vez só" as acções dessas empresas. "
Está a chegar-se ao ponto em que é do interesse dos empresários fazer as acções caírem o máximo possível, para se colocarem numa posição em que as expectativas são tão baixas que facilita uma recuperação acima do esperado, daqui a seis meses", explica Philip Lawlor, analista da casa de investimento Nomura. E a estratégia parece estar a resultar há um consenso alargado no mercado de que os títulos das empresas que têm estado a negociar sob pressão, já estão a reflectir o impacto da crise na conta de resultados em 2009. EDP avança com emissão de obrigações
A EDP Finance BV, do grupo EDP, vai emitir 325 milhões de libras esterlinas (cerca de 407 milhões de euros) de obrigações com taxa fixa e maturidade de quinze anos. De acordo com a agência Bloomberg, as obrigações vão oferecer uma remuneração de 370 pontos-base acima dos títulos estatais do Reino Unido, com prazo de maturidade semelhante a esta operação da eléctrica portuguesa.
Barclays Capital, o Deutsche Bank, a JPMorgan Chase e o Royal Bank of Scotland serão os bancos colocadores, ainda segundo a mesma agência.
A Bloomberg avança ainda que a agencia de 'rating' Moody's vai atribuir uma notação de A2 às obrigações e a Standard & Poor's uma classificação inferior, de A-. Em comunicado, a EDP revela que os títulos desta emissão serão admitidos à cotação na London Stock Exchange.
Fonte Diário Económico : Alexandra de Almeida Ferreira Publicador Clipping Data 29 Out 2008
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