BEI já emprestou 2,8 mil milhões às PME portuguesas
BEI já emprestou 2,8 mil milhões às PME portuguesas
COM O APERTO DAS CONDIÇÕES DE CRÉDITO este ano os bancos portugueses estão a recorrer mais ao Banco Europeu de Investimento.
Mónica Silvares Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar
Para abrir um hotel de cinco estrelas no Algarve, José Lisboa, presidente da Quinta do Rio, precisava de financiamento bancário. A empresa conseguiu um empréstimo de 36 milhões de euros junto do Banco Espírito Santo, mas o dinheiro veio de outra origem, no Luxemburgo: o Banco Europeu de Investimento (BEI).
Este é apenas um exemplo de uma das muitas empresas que recorrem a este expediente, que se tornou mais popular no último ano, na sequência da crise financeira que tem apertado a concessão de crédito.
O Banco Europeu de Investimento - que tem na banca comercial um intermediário para ajudar as pequenas e médias empresas - já emprestou às PME portuguesas, 1,82 mil milhões de euros nos últimos seis anos, sendo que até Agosto deste ano já foi batido o montante recorde de empréstimos concedidos (550 milhões de euros).
Para os economistas, esta tendência de crescimento tem uma explicação clara. "Este tipo de instrumentos pode ser muito relevante, atendendo ao momento complicado que se vive nos mercados financeiros, que leva as instituições a ter condições de concessão de crédito mais apertadas", defende Paula Carvalho, economista do Banco BPI. O valor inédito que este tipo de crédito atingiu é justificado pelo economista da IMF, Filipe Garcia, não só pela "maior dificuldade que as empresas estão a ter na obtenção de fundos por outro via", mas também pela "necessidade de os bancos não comprometerem os seus próprios fundos".
Neste momento de crise do crédito, o próprio BEI reconheceu a necessidade de aumentar a ajuda a conceder as PME europeias que, à semelhança do que acontece em Portugal, compõem a maioria do tecido empresarial e são o motor do crescimento.
Dos actuais cinco mil milhões de euros disponibilizados aos bancos comerciais em condições favoráveis para as PME, o BEI vai elevar esse valor em 50%, já em 2008, passando a oferecer 7,5 mil milhões todos os anos até 2011.
A decisão foi anunciada na última reunião do Ecofin, em Nice e veio elevar o bolo total disponibilizado para 30 mil milhões.
Segundo esclareceu o Diário Económico junto do BEI não há quotas nacionais, por isso não é possível determinar previamente o montante que caberá a Portugal. Os projectos a financiar serão seleccionados de acordo com as regras e os critérios pré-estabelecidos pelo próprio banco, sendo que 'a posteriori' é feita uma avaliação dos empréstimos concedidos.
Montepio, Caixa Geral de Depósitos, Banco BPI e Banco Espírito Santo são as quatro instituições que, este ano, já obtiveram luz verde para os seus pedidos de empréstimo junto do BEI. Todas as linhas de crédito são de 150 milhões de euros, com excepção do Montepio que apenas pediu 100 milhões.
Mas os montantes, provavelmente, não se vão ficar por aqui, já que o Millennium BCP deu entrada, este mês, com um pedido de empréstimo de 100 milhões de euros, que está sob aprovação.
O objectivo é financiar PME que operam nos sectores da indústria, serviços ou infra-estruturas ou ainda micro-empresas com menos de dez empregados.
Fonte    Diário Económico : Mónica Silvares
Publicador    Clipping
Data     19 Set 2008