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| Bancos portugueses entre os mais alavancados |
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Bancos portugueses entre os mais alavancados BCP É O CASO MAIS DELICADO, diz o grupo holandês ING, que cortou a sua avaliação para a banca nacional. Pedro Latoeiro Os bancos portugueses estão entre os mais alavancados da Europa. O diagnóstico foi traçado pelo grupo holandês ING que, num documento intitulado "Não abusar da alavancagem" alerta para a possibilidade do BCP e do BPI enfrentarem novos problemas de saúde financeira, fruto da exposição dos seus fundos de pensões ao trambolhão das bolsas. Isto porque os bancos nacionais venderam algumas das suas participações em empresas aos fundos de pensões para se protegerem da volatilidade dos mercados. O problema é que o valor destes activos não pára de cair e está a consumir capital aos bancos e a afectar rácios como o 'core tier I', um dos indicadores mais utilizados na avaliação da saúde financeira. O caso mais delicado é o do BCP que, segundo o ING, poderá mesmo ser obrigado a pedir mais dinheiro aos seus accionistas. "A situação actual do BCP faz lembrar o período 2001-03, em que o banco teve de aumentar capital uma vez por ano", sublinha o analista Ignacio Ulargui. A desvalorização do 'portfolio' do BCP - que inclui investimentos no BPI, EDP e Teixeira Duarte -, deve penalizar os resultados do terceiro trimestre em 88 milhões de euros, calcula o ING. Neste cenário, o grupo holandês recomenda aos seus clientes que vendam as acções do banco português, atribuindo um preço-alvo de 0,86 euros menos 25% que a actual cotação. A confirmar-se as avaliações do ING, o BES superaria o BCP em valor de mercado. "Acreditamos que o banco poderá enfrentar constrangimentos de capital, relacionados com o fundo de pensões, o que poderá colocar uma pressão substancial no preço da acção", pode ler-se no documento. O BPI, por seu turno, resolveu parte dos seus problemas com a venda de 49% do BFA e o aumento de capital de 350 milhões de euros. No entanto, o banco liderado por Fernando Ulrich é dos mais alavancados em Portugal, estando, por isso, mais sensível às oscilações no fundo de pensões, frisa o ING. O banco foi alvo de 'downgrades' em duas frentes: viu o seu preço-alvo cair de 5,25 para 2,19 euros e as estimativas de resultados para os próximos três anos reduzidas em 32%. Já o BES conserva o estatuto de banco favorito em Portugal do ING, mas não escapa a um corte no valor justo das acções. O grupo holandês avalia agora os títulos em 10,70 euros, contra o anterior 'target' de 19,60 euros. "O BES continua a ser o nosso banco português predilecto, devido ao forte 'focus' da gestão e à menor alavancagem do fundo de pensões", referem os especialistas do ING. Certo é que a alavancagem é um dos maior problemas da actual crise financeira e, no final de Julho, o Santander avançou que os fundos de pensões do BCP, BPI e BES somavam perdas de mil milhões de euros. Desde então, o PSI20 tombou mais 7%. Fonte Diário Económico : Pedro Latoeiro
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